domingo, 20 de setembro de 2026
INFLUENZA

Goiás registra 43% de cobertura vacinal contra gripe, longe da meta de 90%

Com estratégias de vacinação e campanha aberta a toda a população, Estado vacinou menos da metade da meta contra a influenza

Lalice Fernandespor em
GRIPE
Especialista avalia que estratégia de vacinação precisa ser repensada, com ações mais acessíveis e comunicação adaptada (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)

Enquanto Goiás segue com menos da metade da meta de vacinação contra a gripe, Aparecida de Goiânia realiza as últimas últimas etapas do Vale Night da Proteção, ação que leva equipes de imunização a supermercados no período noturno e oferta vacinas do calendário de rotina para adolescentes e adultos, entre elas a contra a influenza. A iniciativa soma mais de 1,4 mil doses aplicadas em julho, mas o cenário estadual continua distante do esperado: apenas 43,72% do público prioritário foi vacinado contra a gripe, segundo dados atualizados do Ministério da Saúde.

Ao todo, 729.630 doses foram aplicadas em idosos, crianças e gestantes desde o início da campanha. Embora a vacinação tenha sido ampliada para toda a população acima de seis meses de idade em 1º de junho, a cobertura dos grupos prioritários permanece distante da meta de 90%.

Especialista defende mudança na estratégia

A baixa adesão ocorre em meio ao avanço das doenças respiratórias no Estado. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), Goiás registra, em 2026, 6.027 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Desse total, 650 tiveram confirmação para influenza.

Para o infectologista Marcelo Daher, o resultado demonstra que é necessário rever as estratégias adotadas para alcançar a população. “Algumas coisas têm que ser repensadas: a estratégia de vacinação, ter mais unidades móveis, unidades onde as pessoas tenham acesso mais fácil, unidades que vão até as pessoas e não esperem as pessoas irem até elas”, afirma ao O HOJE.

Na avaliação do especialista, outro desafio é a comunicação. Segundo Daher, a forma de informar sobre a doença e a vacinação não acompanhou as mudanças no comportamento da população. “A população mudou, o tipo de conversa, o tipo de informação mudou também e a velocidade da informação também mudou”, diz.

O infectologista defende que dados sobre casos, internações e mortes por influenza sejam divulgados de forma mais ampla para aumentar a percepção de risco da doença. Daher também aponta a desinformação como um dos obstáculos para ampliar a cobertura vacinal. “A gente tem hoje influenciadores negativos agindo de maneira intensa e levando desinformação”, afirma.

A SES-GO também relaciona a baixa cobertura vacinal à circulação de informações falsas e à redução da percepção de risco da gripe. Segundo nota encaminhada à reportagem do O HOJE, ainda persistem alegações de que a vacina provoca gripe ou estaria relacionada ao imunizante contra a Covid-19. A Secretaria reforça que a vacina contra a influenza é produzida com vírus inativado e não causa a doença.

O órgão ainda avalia que “com a diminuição de casos em determinados períodos, muitas pessoas acabam acreditando, de forma equivocada, que a situação está controlada, quando, na realidade, os casos podem voltar a crescer”.

Estratégias não elevaram cobertura

Ao longo da campanha, Estado e municípios adotaram diferentes estratégias para tentar ampliar o acesso à vacinação. Em Goiânia, a Secretaria Municipal de Saúde informou à reportagem do O HOJE que promoveu dois Dias D, realizou vacinação em escolas, colégios militares, instituições de longa permanência para idosos, shoppings, hotéis, aeroporto, empresas, órgãos públicos e outros espaços.

Mesmo assim, a cobertura entre os grupos prioritários permanece abaixo da meta. Segundo a SMS, “a cobertura vacinal entre os grupos prioritários está em 45,88% entre gestantes, 45,73% entre idosos com 60 anos ou mais e 41,86% entre crianças de seis meses a menores de seis anos”.

No Estado, a SES-GO afirma que “os municípios têm intensificado ações fora das unidades de saúde, levando equipes de vacinação para escolas, parques, eventos e outros espaços públicos”.

Para a coordenadora de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, Renata Cordeiro, a baixa procura não ocorre apenas em relação à vacina contra a gripe. A redução da adesão atinge outros imunizantes, o que aumenta a preocupação das equipes de saúde.

“Infelizmente, percebemos uma baixa adesão para todas as vacinas do calendário básico, o que é preocupante, uma vez que podemos ter o retorno de doenças que já estão controladas por meio da vacinação”, afirma ao O HOJE.

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