Calvície precoce: especialista alerta para aumento dos casos entre jovens de 20 a 30 anos
Embora a genética continue sendo a principal causa, especialistas afirmam que estresse, privação de sono, má alimentação e outros hábitos têm antecipado a perda de cabelo e levado mais jovens aos consultórios
A queda de cabelo chegou mais cedo aos consultórios. Pacientes entre 20 e 30 anos têm buscado avaliação médica ao notar os primeiros sinais de afinamento dos fios, aumento das entradas e redução da densidade capilar. Se antes a calvície era mais associada ao envelhecimento, hoje especialistas observam que fatores ligados ao estilo de vida têm antecipado o problema em pessoas cada vez mais jovens.
Segundo o cirurgião plástico Cléber Stuque, especialista em implante capilar e tratamentos para calvície, o perfil dos pacientes mudou nos últimos anos. “Tenho observado um aumento significativo da procura por pacientes de 20 a 30 anos com queixas de queda capilar. Fatores como estresse, rotina intensa e hábitos pouco saudáveis têm contribuído para antecipar esse quadro”, afirma.
Embora a predisposição genética continue sendo a principal causa da alopecia androgenética, o tipo mais comum de calvície, ela não é o único fator envolvido. “O estresse do dia a dia, noites mal dormidas, alimentação inadequada e o uso frequente de químicas capilares podem acelerar a perda dos fios em pessoas que já possuem predisposição genética. A herança familiar continua sendo importante, mas o estilo de vida pode influenciar diretamente na velocidade de evolução da calvície”, explica.
Os primeiros sinais
Entre os principais alertas estão o afinamento progressivo dos fios, a redução da densidade capilar nas têmporas, o aumento aparente da testa e a presença de mais cabelos no travesseiro, durante o banho ou ao pentear. “Quanto mais cedo o paciente procura ajuda, maiores são as chances de controlar a evolução da calvície. Em muitos casos, é possível preservar os fios e evitar uma perda capilar mais acentuada”, afirma Stuque.
Transplante não é o primeiro passo
Com a popularização do transplante capilar entre artistas e influenciadores, muitos jovens chegam ao consultório acreditando que a cirurgia é a única solução. O especialista, porém, esclarece que essa costuma ser uma etapa posterior.
“A primeira abordagem é clínica. Existem medicamentos tópicos, orais e terapias injetáveis, como o MMP, técnica que aplica medicamentos diretamente no couro cabeludo para estimular o crescimento e controlar a queda. O transplante capilar é indicado apenas para pacientes que já passaram pelo tratamento clínico, estabilizaram a evolução da calvície e realmente apresentam indicação cirúrgica”, explica.
Para Stuque, o maior erro é esperar que a perda de cabelo se torne evidente para buscar ajuda. “Hoje existem recursos capazes de retardar e, em muitos casos, estabilizar a evolução da calvície. Quanto mais cabelo o paciente perde, menores podem ser as chances de preservação dos fios e maior pode ser a necessidade de um transplante no futuro.”
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