E a China?

IA pode fortalecer hegemonia do dólar na economia global, apontam economistas

Infraestrutura de IA cria novo ciclo que pode reforçar liderança do dólar no mundo

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 24 de julho de 2026 às 21:46
IA pode fortalecer hegemonia do dólar na economia global, apontam economistas
Foto: Divulgação

A expansão da inteligência artificial pode fortalecer ainda mais a posição do dólar na economia mundial. A avaliação consta em um estudo elaborado pelos economistas Chenxu Fu e Xianguo Huang, do Escritório de Pesquisa Macroeconômica da ASEAN+3 (AMRO). Segundo os pesquisadores, o crescimento da infraestrutura de inteligência artificial está criando um ciclo econômico em que capacidade computacional, pagamentos digitais e ativos financeiros denominados em dólar passam a se reforçar mutuamente.

Além disso, os autores afirmam que esse movimento ocorre sem a necessidade de uma estratégia coordenada pelo governo dos Estados Unidos. Na prática, empresas de inteligência artificial, provedores de computação em nuvem e plataformas de pagamento impulsionam essa dinâmica por meio de decisões comerciais e da expansão dos seus serviços.

dólar
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O que está mudando na economia digital?

Os economistas fazem uma comparação entre o cenário atual e o sistema conhecido como petrodólar, consolidado a partir da década de 1970. Naquele período, a comercialização internacional do petróleo em dólares ampliou a procura pela moeda americana e direcionou parte das receitas dos países exportadores para os mercados financeiros dos Estados Unidos.

Agora, segundo o estudo, a inteligência artificial pode seguir um caminho semelhante. À medida que empresas incorporam modelos de IA às atividades diárias, a capacidade computacional deixa de ser um investimento eventual e passa a representar um custo operacional contínuo.

Como boa parte dessa infraestrutura permanece concentrada em empresas americanas ou ligadas aos Estados Unidos, os serviços costumam ser precificados em dólares. Dessa forma, organizações de diferentes países passam a depender da moeda americana para contratar capacidade computacional.

Como os pagamentos digitais entram nesse cenário?

Outro ponto destacado pelos pesquisadores envolve a evolução dos sistemas de pagamento. Segundo a análise, agentes de inteligência artificial poderão realizar transações automaticamente no futuro. Nesse contexto, as stablecoins lastreadas em dólar aparecem como uma alternativa para liquidar essas operações.

Caso esses ativos digitais sejam utilizados de forma predominante para pagamentos automatizados e contratação de serviços de computação, a dependência tecnológica poderá ampliar também a dependência da moeda americana nas transações internacionais.

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Os autores destacam que esse processo difere do modelo do petrodólar porque não depende de acordos entre governos. Em vez disso, ele surge da atuação conjunta de empresas de tecnologia, plataformas de computação em nuvem, emissores de stablecoins e redes de pagamento.

Quais podem ser os impactos desse movimento?

De acordo com o estudo, a combinação entre infraestrutura de inteligência artificial, computação em nuvem e ativos digitais pode ampliar a centralidade do dólar na economia global nos próximos anos.

Os economistas avaliam que, conforme a inteligência artificial se torne parte permanente das operações empresariais, a demanda por serviços tecnológicos poderá aumentar de forma contínua. Como esses serviços são amplamente ofertados por empresas americanas e precificados em dólar, a tendência pode fortalecer ainda mais o papel da moeda no comércio e nas finanças internacionais.

Embora o estudo apresente esse cenário como uma possibilidade, os autores ressaltam que o processo resulta da expansão dos mercados de tecnologia e dos serviços digitais, e não de uma política econômica coordenada pelos Estados Unidos.

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