sexta-feira, 24 de julho de 2026
TARIFA ADICIONAL

Impactos em Goiás são reavaliados após nova tarifa de 12,5% dos EUA

Após a entrada em vigor da tarifa de 25%, governo americano impõe nova taxa que pode elevar para até 37,5% a carga sobre parte das exportações

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 24 de julho de 2026 às 19:17
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Impacto sobre Goiás tende a ser menor que em outro Estados, mas nova tarifa ainda está em análise, diz SIC (Foto: Christine Walker/ Unsplash)

Os Estados Unidos ampliaram a pressão sobre as exportações brasileiras apenas dois dias após a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos nacionais. Desde esta sexta-feira (24), uma nova sobretaxa de 12,5% passou a incidir sobre as mercadorias, desta vez sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos produzidos com trabalho forçado. 

A medida aumenta as incertezas para empresas, que ainda buscam dimensionar os efeitos da primeira rodada de restrições, e pode elevar para até 37,5% a carga adicional incidente sobre parte das exportações brasileiras.

O governo brasileiro rejeita a avaliação norte-americana, enquanto mantém o Plano Brasil Soberano 3, anunciado nesta quarta-feira (22), como medida de apoio às empresas exportadoras.

Em Goiás, a avaliação inicial continua indicando impactos concentrados em segmentos específicos, embora a análise tenha se tornado mais complexa. Dados da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) mostram que, no primeiro semestre deste ano, os Estados Unidos responderam por US$ 462,5 milhões das exportações goianas, o equivalente a 6,55% das vendas externas do Estado. Desse total, 85% respondia por produtos que haviam ficado de fora da cobrança dos 25%.

Setores sob atenção 

Em nota encaminhada à reportagem do O HOJE, a Secretaria informou que a estimativa divulgada após a tarifa de 25% não pode ser aplicada automaticamente à nova medida, pois as duas cobranças possuem listas próprias de exceções. Por isso, a SIC realiza uma nova análise cruzando os códigos tarifários das exportações goianas com cada uma das medidas anunciadas. Ainda assim, “os dados analisados indicam que o impacto proporcional sobre Goiás tende a ser menor do que em Estados mais dependentes do mercado norte-americano”.

A SIC ainda informa que o acompanhamento deverá se concentrar principalmente nos produtos industrializados sujeitos à nova cobrança. Entre os segmentos monitorados estão derivados da cadeia sucroenergética, máquinas e equipamentos, produtos metalúrgicos, manufaturados, calçados, vestuário, madeira, papel e mobiliário. 

O Secretário da SIC, Joel de Sant’Anna Braga Filho, informa ainda que nos casos em que um produto não estiver contemplado nas exceções das duas medidas, poderá haver incidência conjunta das sobretaxas de 25% e 12,5%, além da tarifa ordinária eventualmente aplicada. 

Para o economista Leonardo Ferraz, ainda não há tempo suficiente para medir os efeitos concretos da nova cobrança. “Nesse primeiro momento trabalhamos mais com cenários do que com resultados definitivos”, afirma. 

Segundo Ferraz, as duas tarifas entraram em vigor em intervalo muito curto e a incidência dependerá da classificação de cada mercadoria. O especialista ressalta que a possibilidade de acumulação existe, mas deve ser analisada produto a produto, conforme os códigos aduaneiros e as listas de exceções estabelecidas pelas autoridades americanas.

Avaliações são mantidas  

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) informou ao O HOJE, que mantém a mesma avaliação apresentada após a tarifa de 25%.  Conforme nota divulgada na época, a Secretaria considera a cadeia sucroenergética, o algodão, o café verde e a indústria de base florestal como os segmentos que merecem maior acompanhamento, além de alertar para possíveis efeitos indiretos, como redirecionamento das exportações, aumento da concorrência em outros mercados e pressão sobre os preços internacionais.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) também informou que mantém o posicionamento divulgado após a primeira tarifa, já que a nova medida não alterou o cenário dos principais produtos agropecuários goianos. Conforme afirmado pela entidade em nota enviada à reportagem no dia 17 de julho, os impactos para o agronegócio goiano tendem a ser moderados, embora reconheça perdas de competitividade para segmentos específicos, especialmente o açúcar orgânico e parte da indústria de máquinas agrícolas.

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