quinta-feira, 23 de julho de 2026
Tarifa de 25% dos EUA

Brasil Soberano 3 é anunciado sob sombra da nova tarifa de 12,5%

Um dia antes da tarifa adicional ser anunciada, governo lança pacote em resposta à taxa de 25% aplicada pelos EUA sobre produtos brasileiros

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 23 de julho de 2026 às 21:17
taxa
: Especialistas afirmam que o programa oferece suporte aos exportadores, mas não resolve sozinho os efeitos das barreiras comerciais (Foto: Tânia Rêgo/ABr)

Anunciado no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros, o Plano Brasil Soberano 3 passa a ser uma das apostas do governo federal para reduzir os impactos das barreiras comerciais. O programa ainda foi lançado apenas um dia antes do governo norte-americano taxar o Brasil com uma nova tarifa de 12,5% que entra em vigor nesta sexta-feira (24).

Em Goiás, onde cerca de 85% das vendas ao mercado norte-americano ficaram fora da nova cobrança, a medida pode beneficiar setores atingidos pelas barreiras comerciais. A terceira etapa do programa, anunciado nesta quarta-feira (22), disponibiliza R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas exportadoras e setores considerados estratégicos. 

Os recursos poderão ser destinados a capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, abertura de novos mercados e adequações exigidas pelo comércio internacional, como requisitos sanitários, ambientais e de rastreabilidade.

Setores goianos

Dados do Comex Stat mostram que as exportações goianas para os EUA  permanecem concentradas em poucos produtos. Em 2026, os principais embarques foram carnes bovinas, ferro-ligas, gorduras bovinas e derivados de cana-de-açúcar.

O economista Luiz Carlos Ongaratto, destacou ao O HOJE, que “a pauta exportadora de Goiás para os EUA é muito concentrada em poucos setores” e que “embora a carne tenha ficado de fora das tarifas mais severas, algumas indústrias poderão se beneficiar, como a mineral e a sucroenergética”.

Segundo o especialista, as linhas de crédito para capital de giro, o diferimento de tributos federais e a prorrogação do Drawback estão entre as medidas mais importantes para reduzir os efeitos imediatos das restrições comerciais. Ainda assim, afirma que o “crédito e incentivos fiscais ajudam a segurar o negócio, mas não substituem contratos de venda cancelados”.

A economista Greice Guerra também avalia que o programa representa um alívio para empresas que já convivem com o aumento dos custos e das incertezas provocadas pelo cenário internacional. 

Ainda, segundo a economista, “na questão da indústria goiana, a produção de alimentos, plástico, têxtil e produtos farmacêuticos, ajuda. O empresariado goiano vai poder ter acesso a esse crédito, que a gente espera que não seja muito burocrático, para ajudar nesse tarifaço”.

Nova taxa de 12%

Apesar do anúncio do pacote, o governo brasileiro passa a lidar também com a nova taxa anunciada pelo governo norte-americano, relacionada à investigação sobre trabalho forçado. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou na quarta-feira, antes da medida ser anunciada, que o governo aguarda para saber se a nova cobrança será cumulativa aos 25% em vigor desde o dia 22 de julho. 

Na avaliação de Ongaratto, “uma tarifa acumulada corrói a pouca margem que restava para produtos industriais e de processamento”. “Isso pode inviabilizar o produto goiano frente a concorrentes de outros países no mercado americano, forçando o redirecionamento acelerado para outros destinos”, completa.

Embora o governo federal já tenha informado que não pretende lançar uma quarta etapa do Plano Brasil Soberano, por considerar que a versão atual já contempla a ampliação das tarifas, o economista pondera que a política de crédito, sozinha, não resolve o problema. “Nenhum pacote estatal absorve sozinho o choque de barreiras comerciais contínuas. A resposta econômica real a partir de agora terá que vir da diplomacia comercial e da abertura de novos mercados consumidores.”

Procuradas pela reportagem, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) informou que aguardava a definição sobre a possível nova tarifa para se posicionar, enquanto a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) afirmou que acompanha as tratativas conduzidas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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