A proteína que você já come e não sabia: nutricionista explica o que conta na dieta
Enquanto suplementos bombam nas prateleiras, especialista lembra que leguminosas e cereais já oferecem proteína de qualidade para a maioria dos brasileiros
A proteína ganha ainda mais espaço na alimentação dos brasileiros. O interesse por alimentos ricos no nutriente acompanha a busca por hábitos mais saudáveis. Dados da Scanntech, em parceria com a McKinsey, mostram que, em 2025, categorias de produtos proteicos cresceram no varejo brasileiro. As vendas de whey protein avançaram 124%, seguidas pela creatina (89%), cereais proteicos (21%) e iogurtes proteicos (16%).
O cenário reflete uma mudança no comportamento do consumidor, mas também evidencia um equívoco comum: associar a proteína exclusivamente ao consumo de carne. Segundo especialistas, uma alimentação equilibrada pode reunir diferentes fontes do nutriente, incluindo alimentos de origem vegetal, capazes de contribuir para o atendimento das necessidades diárias.
A nutricionista Aline Maldonado afirma que a proteína desempenha funções importantes para o organismo e destaca que o nutriente também pode contribuir para uma alimentação mais equilibrada. “Além de atuar na manutenção dos tecidos, da imunidade e de diversas funções metabólicas, a proteína promove maior saciedade, ajudando a controlar a fome ao longo do dia. Por isso, pode ser uma aliada para pessoas que estão em processo de perda de peso, desde que faça parte de um plano alimentar saudável”, explica.
As proteínas de origem vegetal também podem contribuir para a ingestão diária do nutriente. Leguminosas como feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha e soja estão entre as principais fontes e fazem parte da alimentação de grande parte dos brasileiros.
“As leguminosas ocupam um papel muito importante na alimentação do brasileiro. Feijão, lentilha, grão-de-bico e soja são excelentes fontes de proteína vegetal e oferecem fibras e micronutrientes importantes. Quando combinadas com cereais, como arroz, aveia e outros grãos, contribuem para refeições completas e nutricionalmente muito interessantes”, afirma Aline.
A especialista ressalta que não existe uma recomendação única de ingestão de proteína para toda a população. Crianças, adultos, idosos, gestantes e pessoas fisicamente ativas possuem necessidades distintas, que devem ser avaliadas individualmente. Mais importante do que concentrar o consumo em um único alimento é diversificar as fontes proteicas ao longo do dia.
“A proteína pode ser obtida a partir de diferentes alimentos. O mais importante é construir uma alimentação variada, diversificando as fontes proteicas ao longo do dia, em vez de concentrá-las em um único alimento”, complementa.
A praticidade também influencia as escolhas alimentares, especialmente para quem tem uma rotina intensa. Nesse cenário, pequenas adaptações podem facilitar a inclusão de fontes de proteína no dia a dia.
“Nem sempre o desafio está em saber que o alimento é importante, mas em conseguir incluí-la de maneira prática na rotina. Pequenas estratégias podem fazer diferença, como enriquecer vitaminas, mingaus, panquecas, bolos e outras preparações com fontes de proteína vegetal, aumentando o valor nutricional das refeições sem grandes mudanças no dia a dia”, orienta.
A maior procura por alimentos proteicos também impulsionou a oferta de produtos enriquecidos com o nutriente, incluindo opções à base de proteína vegetal. Para a nutricionista, porém, a qualidade da alimentação depende do conjunto de escolhas feitas ao longo do tempo.
“Não existe um alimento isolado capaz de suprir todas as necessidades nutricionais. O que faz diferença é o padrão alimentar construído ao longo do tempo. Quanto maior a variedade de alimentos e fontes de proteína presentes na alimentação, maiores são as chances de alcançar uma dieta adequada para cada fase da vida”, conclui.
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