sábado, 26 de setembro de 2026
Consumo lento

PIB da Argentina volta a cair e recuperação perde força sob governo Milei

Atividade econômica da Argentina encolhe novamente e expõe desafios para retomada

Otavio Augustopor em
PIB da Argentina volta a cair e recuperação perde força sob governo Milei
Foto: Divulgação

A economia da Argentina registrou nova retração em maio e interrompeu o ritmo de recuperação observado nos primeiros meses do ano. Dados divulgados pelo instituto oficial de estatísticas do país mostram que a atividade econômica caiu 0,5% em relação a abril, marcando o segundo recuo mensal consecutivo.

Na comparação com maio de 2025, a economia cresceu 0,2%. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava expansão de 2,5%. Os números reforçam que a recuperação da atividade continua concentrada em poucos segmentos da economia.

O que explica a nova desaceleração?

Os dados mostram que os setores voltados à exportação seguem sustentando parte da atividade econômica argentina. Agricultura e mineração apresentaram os melhores desempenhos no período, impulsionadas pela recuperação da produção agrícola após a seca registrada em 2023 e pelo aumento da extração de petróleo, gás natural e lítio.

Por outro lado, a indústria de transformação e o comércio varejista voltaram a registrar desempenho mais fraco. Segundo os indicadores oficiais, a demanda interna continua limitada, refletindo o menor consumo das famílias e o ambiente econômico mais restritivo.

Dessa forma, o crescimento permanece concentrado em atividades ligadas ao mercado externo, enquanto outros setores ainda apresentam dificuldades para recuperar o ritmo.

Argentina
Foto: Divulgação

Como o ajuste econômico influencia os resultados?

Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei implementou um programa de ajuste fiscal baseado na redução dos gastos públicos, corte de subsídios, desregulamentação da economia e política monetária mais restritiva.

As medidas contribuíram para reduzir o ritmo da inflação. Em junho, o índice registrou nova desaceleração e atingiu o menor patamar desde agosto do ano anterior.

Ao mesmo tempo, o ajuste também limitou o consumo interno e reduziu o desempenho de segmentos mais dependentes da renda das famílias. Indicadores recentes de arrecadação tributária e importações também apontam uma demanda doméstica ainda enfraquecida.

O que esperar da economia argentina?

Apesar da desaceleração registrada em maio, economistas avaliam que os números não representam, necessariamente, uma mudança definitiva na trajetória da economia argentina.

A expectativa é de que o crescimento continue apoiado principalmente no agronegócio e na mineração ao longo dos próximos meses. Entretanto, analistas observam que a recuperação ainda não alcança de forma significativa setores como indústria, comércio e construção civil.

Nesta semana, o governo argentino recebeu um sinal positivo com a elevação da nota de crédito do país pela agência Moody’s. A decisão fortaleceu a expectativa de uma futura reaproximação da Argentina com o mercado internacional de capitais.

Mesmo assim, investidores continuam acompanhando a capacidade do governo de ampliar a recuperação econômica para segmentos que geram maior volume de empregos e renda.

As projeções do Banco Central argentino indicam crescimento de 3% para a economia em 2026. Além disso, a expectativa é de desaceleração gradual da inflação ao longo do período. O principal desafio continua sendo ampliar a recuperação para além dos setores exportadores e fortalecer a atividade voltada ao mercado interno.

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