Governo monta a maior indústria de Goiás, a de fabricar déficits
Nem o mais criativo marqueteiro da oposição ou o aliado mais fiel da base era capaz de supor o que o HOJE trouxe em números indesmentíveis: o Estado fechou 2025 com um rombo de quase R$ 7 bilhões, suficiente para fazer e equipar 27 hospitais como o Cora. Por ano!
Um ditado antigo e indesmentível, ainda mais depois das leis obrigando o poder público a ser transparente, é que o maior jornal de oposição é o Diário Oficial. Os dados aterradores que O HOJE veicula no impresso e no digital são extraídos, na maior parte das vezes, dos sites dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Foi o que fez na edição de ontem o melhor analista econômico da América Latina, Lauro Veiga Filho, uma das glórias do jornalismo brasileiro.
A manchete de O HOJE foi a mais discutida do dia, venceu as bobagens da eleição presidencial, da diplomacia no continente e do esporte: “Estado passa a registrar déficits desde final de 2024, mostra IMB”. No fim do texto da capa, um número gritava: R$ 6,909 bilhões”. A agropecuária em Goiás patina na crise e o comércio padece com o endividamento de oito em cada dez clientes, mas a indústria pode se regozijar: a fábrica de déficits faz horas extras todos os dias.
E o rombo informado pelo IMB? Corrigido, já chega a R$ 7 bilhões
IMB é o prestigiado Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, um órgão da Secretaria Geral de Governo, do qual as autoridades estaduais muito se orgulham. E o rombo informado pelo IMB? Corrigido, já chega a R$ 7 bilhões. Uma pessoa comum não consegue sequer imaginar o que são R$ 7 bilhões. São 35 milhões de notas de R$ 200, aquelas que a mesma pessoa comum sabe que existe, mas nunca pegou.
Uma pessoa comum perguntaria à inteligência artificial do Google que espaço ocuparia em sua casa se ela recebesse esse tanto de dinheiro. Resposta: “Para abrigar 35 milhões de notas de R$ 200 (um total de R$ 7 bilhões), você precisará de um cômodo de aproximadamente 23 a 25 metros quadrados (como um quarto grande de 5m x 5m), considerando as cédulas empilhadas de forma organizada até uma altura acessível de 2 metros. Se as notas preencherem o espaço totalmente do chão até um teto padrão de 2,6 metros, um espaço menor de 18 metros quadrados (cerca de 4,2m x 4,2m) seria suficiente”.
Há menos de um ano, Cora havia totalizado investimento de R$ 255,9 milhões
Menos de um ano atrás, a imprensa oficial noticiou que o Cora, “Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás, totalizou investimento de R$ 255,9 milhões”, somando a construção e a “estrutura completa, com 60 leitos, incluindo UTIs, setor de transplante de medula óssea, centro cirúrgico, robôs para reabilitação de movimentos e um avançado sistema de filtragem do ar”. À calculadora do celular: 6 bilhões e 909 milhões divididos por 255 milhões e 900 mil = 27 hospitais como o Cora por ano, mais de um a cada quinzena.
O rombo é tamanho que faz parecerem troco os R$ 500 milhões que o governador Daniel Vilela (MDB) anunciou que vai pegar emprestados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, para comprar o Câncer Center, o hospital da Oncovidas. Para lá, Daniel diz que vai transferir o Hospital de Urgências de Goiás, o Hugo, do Setor Pedro Ludovico, cujo prédio será demolido.
Como uma insanidade, em vez de substituir a anterior, a ela se soma, adicionem-se aos R$ 24 bilhões da dívida recém-negociada com o governo federal. Pode ficar estarrecido: Goiás levou 300 anos para acumular um débito considerado impagável, R$ 24 bilhões. Aí, apenas em 2025, abre-se um fosso de R$ 7 bilhões. A continuar nesse ritmo, mais dois anos de Daniel no cargo e se chegará ao inédito empate de 30 meses com três séculos.
Não é mais só um poço sem fundo, é uma ameaça à cabeça dos japoneses
O texto de Lauro Veiga Filho, com o qual o leitor pode se deleitar, é encontrável em ohoje.com. Atenção para este trecho: “O resultado primário, que não contabiliza juros e amortizações, havia saído de um superávit (receitas superiores às despesas primárias) de R$ 2,350 bilhões para um déficit de R$ 4,558 bilhões, refletindo uma aceleração dos gastos estaduais e principalmente dos investimentos”. Some os milhares de mil da operação e chegará aos 6 bilhões e 909 milhões. Não é mais apenas um poço sem fundo, é uma ameaça à cabeça dos japoneses. Juntos chegaremos lá.
Além desse Grand Canyon no Cerrado, é preciso não se esquecer que nos últimos sete anos o Governo Federal pagou por Goiás R$ 900 milhões da dívida que o Executivo estadual não honrou. São quantias grandiloquentes que estarão à espera do próximo governador, seja ele Daniel ou qualquer de seus opositores, Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) ou Wilder Morais (PL). Os quatro governadoriáveis não comentaram o escândalo. Ainda bem que um antecessor deles, Mauro Borges, batiza um instituto que sequer tenta maquiar os números, por mais assustadores que sejam. E são.
(Especial para O HOJE)
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