Bolívia emite novo mandado de prisão contra Evo Morales por acusações de terrorismo
Morales nega envolvimento em crimes, afirma ser vítima de perseguição política e atribui protestos à crise econômica enfrentada pelo país
A Procuradoria-Geral da Bolívia expediu um novo mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, acusado de terrorismo e insurreição armada por supostamente incentivar os protestos e bloqueios de rodovias que atingiram o país nas últimas semanas. A existência da ordem judicial foi divulgada pelo próprio ex-mandatário nesta quarta-feira (30), por meio de uma publicação na rede social X.
Em resposta às acusações, Morales afirmou que o governo do presidente Rodrigo Paz tenta responsabilizá-lo pelas manifestações para desviar o foco da crise econômica e social enfrentada pela Bolívia. Segundo o ex-presidente, os protestos são consequência do aumento da inflação, da escassez de combustíveis e de políticas que, segundo ele, abandonaram a população. “Eles não nos intimidarão. Continuaremos lutando ao lado do povo”, escreveu o líder político.
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O mandado foi expedido pelo procurador Brayan Melgar após uma denúncia apresentada no departamento de Santa Cruz, no leste do país. A medida ocorre após mais de seis semanas de protestos e bloqueios organizados por setores insatisfeitos com a situação econômica. Em 20 de junho, Rodrigo Paz decretou estado de emergência, autorizando o emprego das Forças Armadas para auxiliar a polícia na desobstrução das rodovias. Enquanto o governo classificou os atos como uma tentativa de desestabilização institucional, Morales declarou apoio às mobilizações.
Esta não é a única investigação enfrentada pelo ex-presidente desde que deixou o cargo em 2019, em meio a uma grave crise política. Em 2024, ele passou a ser alvo de outro mandado de prisão por suspeita de tráfico de pessoas, em um caso relacionado a um suposto relacionamento com uma adolescente durante seu período na Presidência. Morales nega todas as acusações e afirma ser alvo de uma perseguição judicial. Impedido por decisões da Justiça de disputar as eleições de 2025, o ex-presidente viu Rodrigo Paz vencer o pleito no segundo turno, encerrando mais de duas décadas de hegemonia do Movimento para o Socialismo (MAS) no comando do país.
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