Paquistão diz que negociações buscam reduzir tensão entre EUA e Irã após nova onda de ataques
Bombardeios reacendem conflito no Oriente Médio, ampliam confrontos para países vizinhos e elevam preocupações com o abastecimento global de petróleo
Os Estados Unidos voltaram a bombardear alvos no Irã durante a madrugada desta quinta-feira (30), encerrando quase uma semana de relativa calmaria e reacendendo as hostilidades no Oriente Médio. Em meio à nova escalada militar, o Paquistão informou que atua como intermediador nas negociações entre Washington e Teerã e afirmou que as partes discutem medidas para reduzir a tensão, com foco na reabertura do Estreito de Ormuz e na retomada do diálogo diplomático.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, as conversas seguem em andamento e buscam restabelecer o protocolo firmado em junho, que previa o início de negociações de paz entre os dois países. O processo, no entanto, foi interrompido no início de julho após ataques americanos contra o território iraniano e as posteriores ações de Teerã contra aliados dos Estados Unidos na região. O Estreito de Ormuz permanece no centro da disputa, já que sua interrupção afeta uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás.
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A nova ofensiva também ampliou o alcance do conflito. Na quarta-feira (29), forças dos Estados Unidos e da Arábia Saudita atacaram grupos alinhados ao Irã no Iraque. Já nesta quinta-feira, o Egito informou que um ataque com drones de origem ainda desconhecida provocou incêndios em dois navios atracados no porto de Damieta, um deles de bandeira americana. No Irã, a Guarda Revolucionária confirmou a morte de três militares após bombardeios na província de Zanjan, enquanto a imprensa estatal relatou novos ataques nas regiões de Khuzestan e da ilha de Qeshm, onde ao menos três pessoas morreram. O Kuwait registrou uma vítima fatal em um ataque iraniano, e a Jordânia informou ter interceptado cinco mísseis disparados a partir do território iraniano.
O aumento das hostilidades também teve reflexos sobre o mercado internacional de energia. A Guarda Revolucionária afirmou que dois petroleiros desistiram de atravessar o Estreito de Ormuz durante a ofensiva, enquanto os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, mantêm o bloqueio aos portos sauditas no Mar Vermelho, ampliando a pressão sobre outra importante rota marítima da região. Com o risco de interrupções simultâneas em Ormuz e Bab el-Mandeb, o preço do petróleo voltou a subir, e o barril do Brent superou a marca de US$ 90, refletindo a preocupação do mercado com o impacto do conflito sobre o abastecimento global.
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