sexta-feira, 31 de julho de 2026
PICO DO EL NIÑO

Alimentos e energia devem ficar mais caros em Goiás com pico do El Niño

Agropecuária pode ter aumento nos custos, queda na produção e estiagem deve pressionar hidrelétricas

João Césarpor João César em 31 de julho de 2026 às 07:15
Alimentos e energia devem ficar mais caros em Goiás com pico do El Niño
Brasil alcançou 103,1 milhões de pessoas ocupadas, enquanto número de desempregados recuou em 718 mil na comparação com os três primeiros meses do ano - Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Com o início do segundo semestre, os efeitos do El Ninõ começam a chegar em seu pico. Em Goiás, o fenômeno deve ser sentido entre os meses de setembro e novembro. O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) explica que no Centro-Oeste, existe a possibilidade de ondas de calor e atraso no início do período chuvoso.

Essas mudanças climáticas podem pressionar diversos setores, desde os alimentos até a energia elétrica. No caso dos alimentos, o governo federal identificou riscos para a safra de arroz e milho nos próximos meses. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o presidente Lula falou sobre essa questão em reunião na última quarta-feira (29).

No caso da energia, a União deve recorrer a termelétricas devido a possibilidade de secas e escassez de água em reservatórios, com queda de geração de usinas hidrelétricas. As medidas de contenção do governo federal aos impactos do El Niño devem custar algo próximo a R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos.

Segundo a economista Greice Guerra, o impacto climático deve chegar em pressões inflacionárias, afetando desde o setor produtivo até o orçamento das famílias. “Qualquer mudança no clima afeta diretamente a economia”, explica ao O HOJE.

Essa instabilidade climática atinge a agropecuária. A estiagem prolongada ameaça a oferta de grãos como soja, milho e feijão, além de prejudicar as pastagens e a pecuária. Com safras menores e aumento no custo da pecuária, o aumento no preço dos alimentos se torna uma possibilidade. “Uma vez diminuindo a oferta desses grãos, nós vamos ter elevação de preços e o produtor será obrigado a repassar esses custos aos consumidores finais”, analisa a economista.

Para o assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Lucas Lopes, a irregularidade das chuvas e a persistência de temperaturas acima da média são os principais fatores de risco para o início da safra de verão em Goiás, afetando diretamente o estabelecimento da soja e milho segunda safra.

“O sucesso da semeadura da soja depende da ocorrência de chuvas regulares e bem distribuídas, capazes de assegurar umidade adequada no perfil do solo para uma germinação uniforme e o pleno estabelecimento das lavouras”, aponta o especialista.

No caso do milho segunda safra, os impactos são sentidos de forma indireta. O atraso no plantio da soja tende a atrasar sua colheita e reduzir a janela ideal de semeadura do milho, sendo plantado em períodos de maior risco climático.

O assessor técnico da Faeg também explica que o impacto do El Niño não se limita às grandes culturas. “O segmento hortifrutigranjeiro apresenta elevada sensibilidade às variações de temperatura e disponibilidade hídrica. Mesmo antes da intensificação prevista do El Niño, a redução das chuvas observada ao longo do primeiro semestre já vem impactando a oferta de diversos produtos”, destaca.

A pecuária também sofre impactos indiretos das mudanças climáticas. O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Goiás (Sindcarne), Leandro Luiz Stival, disse ao O HOJE que o principal impacto para o setor é sobre os custos de produção.

“Se as condições climáticas forem severas e persistentes, pode haver aumento nos custos de alimentação e manejo dos animais, o que pode influenciar os preços ao longo da cadeia. Ainda assim, o abastecimento do mercado interno tende a permanecer normal”, comenta.

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Impacto consumidor

Nesse cenário de elevação de custos, a economista Greice Guerra destaca que o planejamento das famílias é impactado. “O orçamento das famílias fica comprometido, e elas se veem obrigadas a reduzir o consumo ou optar por produtos similares, como substituir a proteína animal por proteína vegetal.”

Além da alimentação, as contas de luz também ficam mais caras no clima seco. Em outubro de 2025, a Equatorial Goiás registrou alta  de 14% no consumo,atingindo média de 240 kWh por unidade consumidora. Na época, Goiás passava por ondas de calor e várias cidades marcaram 40°C.

“A energia mais cara aumenta os custos de produção, o que no final acaba impactando também os bens de consumo finais e os serviços”, acrescenta a economista. (Especial para O HOJE)

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