Meio ambiente

Semad confirma contaminação de córrego após acidente químico na BR-153 em Goiás

A retirada do material contaminante deve ser concluída em cerca de 15 dias, mas o monitoramento ambiental continuará

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 1 de agosto de 2026 às 09:21
Semad confirma contaminação de córrego após acidente químico na BR-153 em Goiás

 A confirmação da contaminação do Córrego Pernambuco, em Professor Jamil, após o derramamento de produtos químicos provocado por um acidente com um caminhão na BR-153, acendeu um alerta para os impactos ambientais e os possíveis reflexos à saúde pública. Embora cerca de 70% do material contaminante já tenha sido retirado do curso d’água, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), especialistas afirmam que os efeitos podem permanecer por meses ou até anos, exigindo monitoramento contínuo.

O acidente ocorreu no último dia 27 de julho, quando um caminhão que transportava produtos químicos pegou fogo às margens da rodovia. Parte da carga escoou pelas galerias pluviais e alcançou o Córrego Pernambuco, afluente do Rio dos Dourados. Desde então, equipes especializadas atuam na contenção dos resíduos, na retirada do material contaminado e na recuperação das áreas atingidas.

De acordo com a Semad, a empresa responsável pelo transporte foi obrigada a contratar uma companhia especializada em emergências ambientais para executar as ações de limpeza. Além da remoção do produto presente na água, as equipes também trabalham na descontaminação das margens do córrego e na destinação ambientalmente adequada dos resíduos recolhidos. A previsão é que essa etapa seja concluída em aproximadamente 15 dias.

Enquanto isso, análises continuam sendo realizadas para verificar se a contaminação atingiu o Rio dos Dourados. Até o momento, o órgão ambiental confirma impactos apenas no Córrego Pernambuco.

Riscos vão além da mortandade de peixes

A preocupação, no entanto, não se restringe ao curso d’água. O gestor ambiental e geógrafo Juliano Cardoso explica que substâncias como fenol, ácido fosfórico e ácido sulfônico podem provocar uma cadeia de impactos ambientais muito mais ampla.

Segundo Cardoso, a contaminação pode alcançar propriedades rurais que utilizam água do córrego para abastecimento, irrigação ou dessedentação de animais. Mesmo quando o aspecto visual da água melhora, resíduos químicos podem continuar presentes.

“A água pode perder a coloração característica do produto derramado, mas isso não significa que ela esteja livre de contaminantes. Essas substâncias podem permanecer dissolvidas e seguir o fluxo do rio, atingindo outras áreas e comprometendo diferentes atividades econômicas”, explica.

Outro ponto considerado preocupante é a possibilidade de contaminação indireta da cadeia produtiva. Animais que utilizam água contaminada podem sofrer efeitos da exposição química e, posteriormente, integrar a produção de carne, leite ou outros alimentos.

Além disso, a fauna silvestre também preocupa. Segundo o especialista, animais que tiveram contato com os contaminantes, mas sobreviveram, podem transportar resíduos para outras regiões durante seus deslocamentos naturais, ampliando os impactos ambientais.

Recuperação exige acompanhamento de longo prazo

A Polícia Científica já confirmou a morte de peixes no córrego logo após o acidente. Exames preliminares apontaram que a água atingiu pH 5, considerado ácido e incompatível com a sobrevivência de diversas espécies aquáticas.

Além da mortandade imediata, Juliano Cardoso destaca que os danos ao solo e à vegetação costumam ser mais difíceis de reverter. Segundo ele, a descontaminação dessas áreas exige técnicas específicas, acompanhamento constante e monitoramento ambiental por um período prolongado. Em muitos casos, afirma, os reflexos permanecem durante anos até que o ecossistema consiga se recuperar.

Abastecimento foi interrompido

Como medida preventiva, a Saneago suspendeu temporariamente a captação de água destinada ao abastecimento de Professor Jamil. A companhia colocou em prática um plano emergencial para garantir o fornecimento de água à população enquanto os trabalhos de remediação continuam.

A Prefeitura de Professor Jamil também orientou os moradores a economizar água até que a situação seja completamente normalizada.

Enquanto a descontaminação segue em andamento, a Semad informou que continuará monitorando a qualidade da água, acompanhando a recuperação ambiental da área e avaliando se houve propagação dos contaminantes para outros corpos hídricos. Somente após a conclusão dos estudos será possível dimensionar a extensão total dos danos provocados pelo acidente.

 

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