Saúde pública

Estoques de sangue caem durante o mês de julho em Goiás

Rede Hemo alerta para redução das doações em julho, enquanto novas regras devem ampliar o número de pessoas aptas a doar a partir de setembro

João Césarpor João César em 1 de agosto de 2026 às 09:25
Sangue
Tipo O negativo é usado principalmente em urgências e emergências, mas está presente em apenas cerca de 7% da população - Foto: Iron Braz

O estoque de sangue O negativo na Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos (Rede Hemo) chegou a níveis críticos. No mês de julho, o estoque caiu 30%, gerando alerta para o fornecimento à rede de saúde. Atualmente, a rede Hemo atende 223 unidades de saúde em Goiás e também presta apoio a outras regiões do País quando necessário. 


Mesmo com a doação de 5,2 mil bolsas de sangue por mês, ainda é difícil ter todos os tipos de sangue disponíveis. A diretora técnica da Rede Hemo, Ana Paula Parente, explicou que atualmente outros sangues estão com estoques estáveis.

A situação é mais preocupante para o tipo O negativo, considerado doador universal, utilizado principalmente em atendimentos de urgência e emergência, quando não há tempo para identificar o tipo sanguíneo do paciente. Apenas cerca de 7% da população possui esse sangue, o que torna a reposição dos estoques mais difícil.


Segundo a Rede Hemo, o número de doadores de sangue caiu mais de 15% em julho na comparação com os meses anteriores. A instituição relaciona parte dessa redução ao período de férias escolares, quando muitas pessoas viajam ou mudam a rotina. “As pessoas mudam a sua rotina, costumam viajar. Os filhos saem de férias, os pais viajam também e com isso o número de doadores diminui no banco de sangue”, destaca a diretora técnica.

 

Uma única doação pode beneficiar até quatro pacientes, pois o sangue coletado é separado em diferentes hemocomponentes, utilizados conforme a necessidade clínica. Para doar, é preciso estar em boas condições de saúde, pesar mais de 50 quilos e ter entre 16 e 69 anos, além de atender aos demais critérios estabelecidos para o procedimento.

Mudanças nos critérios de doação

Nesse cenário de dificuldades, foi anunciado a mudança em critérios para doação de sangue em Goiás serão alterados a partir de 30 de setembro. As novas regras foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 11.685.

 

Entre as mudanças está a redução do período de impedimento temporário para pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva, aplicação de botox ou colocaram piercing, com exceção daqueles localizados na cavidade oral e na região genital. O prazo de espera diminuirá de 12 para quatro meses. O mesmo intervalo será aplicado a quem realizou endoscopia ou colonoscopia, procedimentos que anteriormente exigiam uma espera de seis meses.

 

O período para doação após cirurgia bariátrica também será reduzido, passando de 12 para seis meses. A portaria ainda determina que pessoas com novo parceiro sexual, parceiro ocasional ou mais de um parceiro aguardem quatro meses antes de doar sangue.

Ana Paula diz que as novas diretrizes podem ter impactos positivos para o estoque de sangue. “A nova portaria traz alguns critérios que diminuem o prazo de inaptidão, isso aumenta a elegibilidade, isso faz com que o número de doadores possa aumentar.”

A diretora reforçou que o hemocentro aposta na desburocratização dos prazos para ampliar permanentemente a base de doadores aptos. “A gente espera que o número de doadores aumente com essa nova legislação”, declarou.


Novas possibilidades

A regulamentação também amplia as possibilidades de doação para pessoas que tiveram câncer. Elas poderão ser consideradas aptas desde que tenham concluído o tratamento há pelo menos cinco anos, estejam em remissão completa e não apresentem doença ativa. Casos de leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e melanoma permanecem como impedimentos definitivos.

 

Pessoas com hemocromatose, condição genética que provoca o acúmulo excessivo de ferro no organismo, deixarão de ser automaticamente impedidas de doar, desde que não apresentem comprometimento de órgãos e atendam aos critérios clínicos da triagem. Candidatos que fazem reposição hormonal ou utilizam hormônios injetáveis prescritos por médico serão avaliados individualmente.

 

As novas regras também permitirão que pessoas com mais de 70 anos continuem doando, desde que já tenham realizado doações anteriormente e sejam aprovadas na avaliação clínica da equipe médica.

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