sábado, 10 de outubro de 2026
Infraestrutura

Goiânia: Viaduto da Leste-Oeste segue sem prazo para conclusão após laudo apontar falhas estruturais

Obra iniciada em 2023 e paralisada há cerca de dois anos passa por nova avaliação técnica; Prefeitura descarta demolição neste momento, mas ainda não apresenta cronograma definitivo para entrega

Renata Ferrazpor em
Goiânia: Viaduto da Leste-Oeste segue sem prazo para conclusão após laudo apontar falhas estruturais

Após mais de dois anos de paralisação, o futuro do viaduto da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco continua indefinido. O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), entregou, nesta sexta-feira (7), o laudo técnico da estrutura ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) e ao presidente do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), Joaquim de Castro.

O documento identificou fragilidades na obra, mas, neste primeiro momento, não recomenda a demolição da estrutura. A análise será aprofundada por uma mesa técnica formada por representantes da Prefeitura de Goiânia, do Crea-GO, do TCM-GO e por especialistas do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Goiás (Ibape-GO).

A obra, iniciada em 2023 e paralisada em julho de 2024, já consumiu cerca de R$ 20 milhões dos cofres públicos. O elevado principal está com aproximadamente 80% da estrutura executada, mas permanece interditado por problemas técnicos que impediram a conclusão.

Durante a reunião, Mabel afirmou que a prioridade é encontrar uma alternativa que permita aproveitar o que já foi construído. “Estamos falando de uma obra que já consumiu cerca de R$ 20 milhões em dinheiro público. Nosso compromisso é encontrar a solução mais técnica, mais segura e mais econômica possível. A demolição será a última alternativa”, declarou.

Segundo o prefeito, caso a recuperação seja considerada segura, a estrutura será aproveitada. “Se houver condições de recuperar a estrutura com segurança, vamos aproveitar o que já foi feito e concluir essa obra tão importante para Goiânia”, afirmou.

Pistas laterais aliviam trânsito, mas não resolvem impasse do viaduto

Enquanto a definição sobre o elevado não acontece, a Prefeitura liberou, nesta sexta-feira, a primeira pista lateral do complexo viário, no sentido Centro-Bairro. A segunda via lateral segue em obras, com previsão de conclusão em até 60 dias.

A gestão municipal afirma que a intervenção deve melhorar a circulação de veículos na região, mas especialistas avaliam que a medida representa apenas uma solução temporária diante do atraso da obra principal.

Para o arquiteto e urbanista Fred Le Blue, a abertura das pistas laterais traz benefícios imediatos para o trânsito, mas não substitui a necessidade de conclusão do viaduto.

“A abertura das pistas laterais pode melhorar de forma significativa a mobilidade na região, mas, como a obra principal do viaduto está paralisada, trata-se apenas de uma solução paliativa até a conclusão do viaduto. A paralisação das vias laterais acabou criando uma situação ainda mais complicada do que antes do início da construção”, afirmou.

Segundo ele, a recuperação da estrutura deve ser priorizada caso não exista risco para a população. “Se não houver risco para a população, temos que evitar a demolição, porque seria a medida mais drástica. O prejuízo seria ainda maior, com o custo de uma obra parcial sem utilidade social, além dos gastos para demolir”, explicou.

Especialista defende recuperação e responsabilidade sobre recursos públicos

O presidente do Crea-GO, Lamartine Moreira, afirmou que o conselho vai auxiliar na avaliação técnica para definir o melhor caminho para a obra. Segundo ele, especialistas da entidade vão analisar detalhadamente o laudo antes de apresentar uma recomendação.

“O Crea é a casa da engenharia. Vamos reunir nossos conselheiros, juntamente com técnicos do Tribunal de Contas e da Prefeitura, para estudar detalhadamente o laudo e orientar a administração municipal sobre a alternativa mais adequada”, disse.

Durante a avaliação inicial, representantes do conselho apontaram que parte da estrutura pode ser aproveitada. A análise agora deve se concentrar nos pontos considerados mais críticos, principalmente na superestrutura e nos elementos que apresentaram inconformidades.

O presidente do TCM-GO, Joaquim de Castro, destacou que o acompanhamento busca garantir segurança jurídica e evitar prejuízos ao patrimônio público. “O papel do Tribunal é contribuir para que os recursos públicos sejam aplicados da melhor forma possível, sempre observando os princípios da eficiência, da economicidade e da segurança”, afirmou.

Para Fred Le Blue, além dos impactos financeiros, uma obra parada por longo período também provoca consequências urbanas. Segundo ele, áreas abandonadas podem gerar problemas sociais e afetar a dinâmica da região.

“Os impactos de uma obra paralisada por tanto tempo são grandes para o desenvolvimento urbano e para o entorno. Há transtornos visuais, sociais e de segurança, porque locais menos movimentados tendem a favorecer situações de abandono”, explicou.

Oposição cobra transparência e questiona demora na conclusão da obra

Apesar da apresentação do laudo e da criação do grupo técnico, a oposição na Câmara Municipal cobra esclarecimentos sobre os investimentos realizados e o cronograma para a entrega definitiva do viaduto.

A vereadora Kátia Maria afirmou que continuará acompanhando a execução da obra e a aplicação dos recursos públicos. Segundo ela, a falta de informações durante o processo gerou questionamentos.

“Vou fiscalizar, sim. É uma obra muito importante para Goiânia e, inclusive, apresentamos requerimento solicitando a conclusão. Mas precisa ser pautada pela ética, transparência no processo e na utilização dos recursos públicos”, declarou.

A parlamentar também destacou que a população aguarda uma solução após anos de transtornos no trânsito da região.

Com a criação da mesa técnica, a Prefeitura espera definir se a estrutura será recuperada ou se serão necessárias novas intervenções. Enquanto isso, moradores e motoristas seguem aguardando uma resposta definitiva sobre quando o viaduto estará completamente disponível.

Além da conclusão da obra, especialistas defendem que Goiânia avalie novas soluções de mobilidade para reduzir o impacto do fluxo de veículos na região Oeste. Entre as alternativas citadas está a criação de novos corredores de ligação entre diferentes regiões da capital, reduzindo a concentração de veículos pesados em avenidas estratégicas. 

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