quinta-feira, 15 de outubro de 2026
MUITAS MUDANÇAS

Pix internacional: o que é, como pode funcionar e o que muda para o Brasil

Banco Central avalia conectar o sistema brasileiro a redes de pagamentos de outros países para acelerar transferências e reduzir custos

Luma Silveirapor em
Pix internacional: o que é, como pode funcionar e o que muda para o Brasil
Foto: Agência Brasil

O Pix pode deixar de ser usado apenas para pagamentos e transferências dentro do Brasil. O Banco Central (BC) estuda conectar o sistema brasileiro a plataformas de pagamentos instantâneos de outros países, permitindo que pessoas e empresas façam operações internacionais com mais rapidez e, potencialmente, pagando menos tarifas.

Na prática, a ideia seria criar uma espécie de ponte entre o Pix e sistemas de pagamentos estrangeiros. Assim, uma transferência feita a partir do Brasil poderia chegar ao destinatário em outro país em poucos segundos, enquanto o dinheiro seria disponibilizado na moeda local. O mesmo mecanismo poderia ser utilizado em compras internacionais.

O Banco Central ainda não anunciou um “Pix internacional” disponível para a população. O que existe é uma agenda de estudos sobre diferentes possibilidades de integração. Segundo a autoridade monetária, estão sendo avaliadas tanto conexões diretas entre dois países quanto a participação brasileira em estruturas multilaterais que reúnem diferentes sistemas de pagamentos instantâneos.

E o que isso mudaria para o brasileiro?

A principal mudança seria a possibilidade de fazer pagamentos e transferências internacionais de maneira mais simples. Hoje, operações desse tipo normalmente envolvem instituições financeiras, conversão de moedas e custos que podem tornar pequenas transações pouco vantajosas.

Com sistemas integrados, uma pessoa no Brasil poderia, por exemplo, pagar uma compra no exterior diretamente pelo celular, enquanto o recebedor receberia o valor convertido para a moeda de seu país. O funcionamento exato, entretanto, dependeria das regras e acordos estabelecidos entre o Brasil e cada país participante.

A proposta também pode beneficiar empresas brasileiras que fazem negócios no exterior. Transferências mais rápidas e baratas poderiam facilitar pagamentos a fornecedores estrangeiros, recebimentos de clientes e outras operações comerciais.

Por que o Banco Central quer integrar o Pix a outros países?

De acordo com o BC, a integração internacional pode ampliar o acesso aos pagamentos entre diferentes mercados e reduzir os custos envolvidos nessas operações. A autoridade monetária também acompanha iniciativas que já vêm sendo desenvolvidas por empresas brasileiras e estrangeiras para realizar transações internacionais utilizando o Pix.

A discussão faz parte da agenda de evolução do sistema apresentada pelo Banco Central no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025.

Pix também pode funcionar sem internet

A internacionalização não é a única mudança em estudo. O Banco Central também trabalha em novas formas de utilização do Pix dentro do país.

Uma das possibilidades é permitir pagamentos por aproximação mesmo quando o usuário estiver sem conexão com a internet. Outra frente é o chamado Pix Automático, pensado para substituir mecanismos tradicionais de débito automático e facilitar pagamentos recorrentes.

Também está em avaliação uma possível integração do Pix ao mercado de crédito. A proposta permitiria utilizar os chamados “fluxos futuros de Pix” como garantia para determinadas operações de financiamento. A expectativa do BC é que isso possa melhorar a qualidade das garantias oferecidas e contribuir para reduzir o custo do crédito, principalmente para empresas que movimentam grande volume de recursos pelo sistema.

Banco Central quer reforçar combate a fraudes

Ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades do Pix, o BC prepara novas ferramentas de segurança. Entre as medidas previstas está a criação de critérios mínimos e objetivos para identificar operações que apresentem características suspeitas.

Outra proposta é desenvolver um indicador capaz de estimar, em tempo real, a probabilidade de uma determinada transação ser fraudulenta. O mecanismo deverá utilizar modelos de inteligência artificial e as informações poderão ser compartilhadas com instituições financeiras para reforçar seus próprios sistemas de prevenção.

O Banco Central também pretende padronizar alertas de fraude e melhorar a comunicação entre instituições para permitir bloqueios cautelares de operações suspeitas com maior rapidez.

Pix entrou na disputa comercial com os EUA

O sistema de pagamentos brasileiro também passou a fazer parte das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano incluiu o Pix entre os argumentos apresentados para justificar medidas tarifárias contra produtos brasileiros e classificou o sistema como uma prática que considera desleal.

O governo brasileiro rejeita essa interpretação. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que uma das razões para o interesse norte-americano no Pix está no fato de o Brasil ter desenvolvido uma infraestrutura própria de pagamentos instantâneos, sem depender diretamente de sistemas controlados pelos Estados Unidos.

Nesse contexto, uma eventual expansão internacional do Pix poderia ampliar ainda mais a presença de uma tecnologia brasileira no mercado global de pagamentos. Por enquanto, porém, a conexão com sistemas estrangeiros continua em fase de estudo pelo Banco Central e ainda não há um calendário definido para que os brasileiros possam utilizar o Pix internacionalmente.

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