sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Termômetros em elevação

Calor chega a 41,4°C e exige preparação a situações de risco em Goiás

Tempo seco, baixa umidade e risco de incêndios mantêm Estado em alerta durante período de estiagem

Lalice Fernandespor em
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CBM-GO mantém monitoramento das condições climáticas e ações de prevenção durante o período de estiagem (Foto: Navi/Unsplash)

O calor recorde registrado em Goiás nesta semana ocorre em meio a um cenário de tempo seco que deve persistir nas próximas semanas e aumenta a atenção para incêndios em vegetação e impactos à saúde. Na segunda-feira (10), a cidade de Goiás e São Miguel do Araguaia tiveram as maiores temperaturas registradas no Brasil, com 41,4°C e 41,1°C, respectivamente. Em Goiânia, os 38,3°C registrados no mesmo dia estabeleceram o maior valor para agosto desde o início da série histórica, em 1937.

Na terça-feira (11), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de perigo potencial para vendavais em 17 municípios das regiões norte e leste do Estado, com previsão de ventos entre 40 km/h e 60 km/h. Também foi emitido alerta de perigo para baixa umidade, com índices entre 20% e 12%. Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), o calor e a baixa umidade devem continuar nos próximos dias e semanas.

A condição é explicada pela atuação de uma massa de ar seco associada a uma área de alta pressão sobre a região Centro-Oeste. Segundo o Inmet, explicou a reportagem do O HOJE, a circulação dificulta o avanço de frentes frias e favorece a elevação das temperaturas, a redução da umidade e a ocorrência de rajadas de vento.

Estado reforça prevenção

Diante do período de estiagem, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBM-GO) afirma que o Estado trabalha de forma antecipada, com monitoramento das condições climáticas e integração entre órgãos estaduais e municípios. “O Corpo de Bombeiros dá uma atenção especial para esse período de estiagem e para o aumento do risco de incêndios em vegetação, com ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida por meio da Operação Cerrado Vivo”, afirmou a corporação ao O HOJE.

Nos municípios, o trabalho inclui treinamentos para brigadistas e voluntários e o compartilhamento de informações e alertas entre a sede da Defesa Civil, em Goiânia, e representantes municipais. A orientação é que cada cidade conheça os principais pontos de risco, mantenha a estrutura de Defesa Civil organizada e saiba como agir diante de uma emergência.

As rajadas de vento previstas para as regiões Norte e Leste também exigem cuidados. O Inmet recomenda que a população não se abrigue debaixo de árvores durante ventanias, devido ao risco de queda e de descargas elétricas, e que não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.

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Resposta depende da dimensão dos danos

A estrutura disponível para prevenção, resposta e recuperação envolve viaturas, equipamentos, tecnologia, capacitação e efetivo. A atuação também ocorre de forma integrada entre Estado, municípios e União, conforme a necessidade e a dimensão de cada desastre, segundo o CBM-GO.

Ainda não é possível calcular quanto eventuais ocorrências podem representar prejuízos. O CBM-GO informa que não há segurança para estabelecer um valor neste momento, pois isso depende da evolução das condições climáticas e, principalmente, da ocorrência ou não dos eventos e de sua intensidade.

A perspectiva para os próximos meses também mantém a atenção sobre o período de estiagem. Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, informou ao O HOJE, “a tendência (de estiagem) em épocas de El Nino é ele ser mais prolongado”. A expectativa é de ondas de calor intercaladas com chuva e tempestades, além de irregularidade nas precipitações.

O Inmet aponta que a atuação do El Niño deve persistir no restante do ano, com tendência de intensificação para uma condição chamada de “super El Nino” entre outubro e novembro. A previsão é de temperaturas mais elevadas e chuvas mais irregulares no retorno do período chuvoso.

No fim de agosto, uma frente fria pode avançar pela região Sudeste e trazer áreas de instabilidade, segundo o Cimehgo. A possibilidade, porém, não significa o fim da estiagem. “O cenário de seca persiste, o cenário de chuva ele é meio momentâneo, então ele acontece, mas não resolve a situação, a previsão não resolve a situação da seca, ele só traz um alívio momentâneo”, explica Amorim. 

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Goiânia registrou 38,3°C na segunda-feira, maior temperatura para agosto desde 1937 (Foto: Fernando Frazão/ABr)

Rede estadual adapta rotina para enfrentar calor

As altas temperaturas e o baixa umidade também exigem mudanças na rotina das escolas estaduais de Goiás. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) orienta as unidades da rede a adotar medidas para reduzir a exposição de estudantes e profissionais ao calor e acompanhar as condições climáticas antes de definir atividades.

Entre os cuidados indicados estão a oferta de água aos alunos, a circulação de ar nos espaços de ensino e o uso dos equipamentos de climatização disponíveis. Portas e janelas podem ser mantidas abertas para melhorar a ventilação quando as condições do ambiente permitirem.

As atividades realizadas fora das salas de aula também devem receber atenção. A orientação da Seduc é que professores e gestores avaliem as condições no momento da atividade e façam adaptações quando houver exposição elevada ao sol ou esforço físico. Em situações consideradas de risco para os estudantes, as ações ao ar livre devem ser interrompidas.

A Educação Física está entre as disciplinas que podem ter a rotina modificada nos dias mais quentes. A recomendação é dar preferência a locais cobertos ou a horários em que a exposição solar seja menor. Exercícios físicos intensos devem ser evitados entre 10h e 16h.

A hidratação é outro ponto destacado pela secretaria. Os estudantes devem ter a possibilidade de fazer pausas para beber água ao longo das atividades. A orientação também inclui o uso de roupas leves, como forma de diminuir o desconforto provocado pelas temperaturas elevadas.

As medidas não se restringem às atividades externas. Dentro das salas, a recomendação é utilizar ventiladores e aparelhos de ar-condicionado disponíveis, além de favorecer a circulação do ar.

A Secretaria afirma que “os eventos climáticos extremos podem gerar desafios para a rotina escolar, especialmente em períodos de temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e mudanças bruscas nas condições meteorológicas”. “A prioridade é assegurar a continuidade das atividades educacionais com segurança”.

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