quinta-feira, 13 de agosto de 2026
DANÇA

Corpo, território e diferença: Nalini Cia de Dança leva a força da dança inclusiva de Goiás para três capitais brasileiras

Projeto contemplado pelo Circuito Klauss Vianna/Funarte promove circulação gratuita por Belém, Florianópolis e Natal com os espetáculos Titiksha e Véu, oficinas, intercâmbios artísticos e ações de acessibilidade

Luana Avelarpor Luana Avelar em
Nalini Cia de Dança

Nos meses de agosto e setembro, a dança contemporânea produzida em Goiás prepara-se para atravessar o país mais uma vez. Em seu décimo ano de trajetória, a Nalini Cia de Dança realiza a circulação nacional “Corpo, Território e Diferença”, projeto que levará uma programação inteiramente gratuita a Florianópolis/SC (25 a 29 de agosto) e Natal/RN (08 a 13 de setembro), e posteriormente a Belém/PA.

Mais do que apresentar espetáculos, a companhia propõe encontros entre artistas, territórios e diferentes modos de existir, colocando a acessibilidade e a diversidade corporal no centro da experiência artística. O circuito reúne apresentações, oficinas, intercâmbios metodológicos, rodas de conversa e ações formativas, fortalecendo o diálogo entre a produção da dança contemporânea brasileira e iniciativas reconhecidas pela pesquisa em inclusão.

Esta realização conta com recursos do Programa Funarte de Difusão Nacional – Circuito Klauss Vianna, iniciativa voltada ao fortalecimento da circulação artística, do intercâmbio entre grupos e da ampliação do acesso às artes em diferentes regiões brasileiras.

Uma programação que convida ao encontro

Ao longo da circulação serão realizadas 18 apresentações, seis em cada cidade, alternando sessões abertas ao público e apresentações especialmente destinadas a instituições que atendem pessoas com deficiência. A programação inclui ainda oficinas gratuitas de dança inclusiva, bate-papos após todas as sessões e residências de intercâmbio com grupos convidados de cada estado. Toda a turnê terá  intérprete de Libras e audiodescrição nas apresentações voltadas às instituições, além de espaços fisicamente acessíveis e materiais em Braille.

Uma programação que convida ao encontro

Mais do que uma turnê, “Corpo, Território e Diferença” nasce como uma plataforma de diálogo. Em Belém, a Nalini compartilhará processos criativos com a artista e pesquisadora Socorro Lima e o Coletivo Corpus Sensorialis; em Florianópolis, o intercâmbio acontece com a Lápis de Seda Cia de Dança Inclusiva; e, em Natal, com o Coletivo CIDA. Os encontros abordarão metodologias de criação, acessibilidade, diversidade corporal e práticas inclusivas nas artes da cena, consolidando redes de colaboração que extrapolam os palcos.

A força ancestral que move TITIKSHA

A circulação reúne duas obras que sintetizam diferentes momentos da pesquisa desenvolvida pela companhia. Criado em 2019, TITIKSHA parte do conceito sânscrito de resiliência para construir uma potente metáfora sobre resistência, ancestralidade e preservação da vida diante da violência e da opressão. Inspirado inicialmente na história do líder indígena Ajuricaba, o solo transforma a figura de uma guerreira em símbolo da luta pela dignidade, pela memória e pela defesa da natureza. Ao longo de sua trajetória, o espetáculo percorreu festivais em diversas regiões do país, foi premiado como Melhor Espetáculo no Festival de Monólogos Teatro e Dança de Fortaleza e acumulou importantes circulações nacionais. Neste segundo semestre, a obra também realizará apresentações em Portugal.

VÉU, uma travessia pelos sentidos

Já VÉU, estreado em 2024, conduz o espectador por uma experiência sensorial inspirada no conceito filosófico do Véu de Maya. A obra propõe uma reflexão sobre as ilusões da existência, o tempo e a percepção da realidade, combinando dança contemporânea, Vogue, Jazz Funk e referências da Cultura Ballroom em uma linguagem coreográfica marcada pela intensidade visual e emocional. Depois da estreia em Goiânia, o espetáculo integrou a programação do Festival Internacional de Dança de Goiás e da Mostra Internacional de Dança de São Paulo (MID-SP), consolidando-se como uma das criações mais recentes da companhia.

Dez anos de pesquisa, circulação e transformação

Fundada em Goiânia em 2016 pela bailarina e coreógrafa Valeska Vaishnavi, a Nalini Cia de Dança construiu, ao longo de uma década, uma trajetória marcada pela pesquisa em dança contemporânea, pela circulação nacional de seus espetáculos e pelo desenvolvimento de ações formativas.

O grupo já apresentou seus trabalhos em importantes festivais brasileiros, realizou turnês por diferentes estados e desenvolve projetos que articulam criação artística, formação e democratização do acesso à cultura. Sob a direção de Valeska — que integrou por 17 anos o elenco da Quasar Cia de Dança antes de fundar a Nalini — a companhia consolidou uma identidade artística voltada ao diálogo entre diferentes linguagens do corpo e ao fortalecimento de uma cena contemporânea mais diversa e acessível.

“Ao completar dez anos de trajetória, sentimos que esta circulação representa muito do que acreditamos como companhia. Sempre entendemos a dança como um espaço de encontro, de escuta e de transformação. Com ‘Corpo, Território e Diferença’, queremos criar experiências que aproximem artistas, públicos e comunidades, mostrando que a diversidade dos corpos amplia as possibilidades de criação e fortalece o sentimento de pertencimento. Levar esse projeto de Goiás para o Norte, o Sul e o Nordeste é também construir pontes, compartilhar saberes e reafirmar que a acessibilidade deve estar no centro da produção artística, e não à margem dela”, afirma a diretora artística da Nalini Cia de Dança, Valeska Vaishnavi.

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