sexta-feira, 25 de setembro de 2026
OPINIÃO

Estado quebrou, mas bomba só vai estourar pós-eleição

Rombo aumenta todos os meses, até pequenos fornecedores estão sem receber, mas é possível esconder o déficit pagando a folha sem atraso, como foi feito em outras gestões, inclusive com ajuda do Judiciário

Nilson Gomespor em
estado
Como O HOJE publicou, a partir de informações do próprio portal da transparência do governo, o Goiás Transparente, de abril de 2025 a abril deste ano, o débito líquido cresceu 45,3%, mais de 1.000% acima da inflação do período, de 4,26% - Foto: Hegon Côrrea

A situação das finanças públicas do Estado é de calamidade, gêmea siamesa da quebradeira. Como O HOJE publicou, a partir de informações do próprio portal da transparência do governo, o Goiás Transparente, de abril de 2025 a abril deste ano, o débito líquido cresceu 45,3%, mais de 1.000% acima da inflação do período, de 4,26%. Até os pequenos fornecedores, que a crise obriga a vender o almoço para comprar a janta, não conseguem receber em dia. Há uma boa notícia verdadeira: a folha vai continuar sendo paga sem atraso. E uma péssima, tão honesta quanto: depois do 2º turno, caso a eleição não seja decidida no 1º, pode ser anunciado parcelamento dos salários de outubro a dezembro e o 13º.

Deixou de ser surpresa, virou maldição

Não chega a ser novidade, pois foi o cenário que Iris Rezende encontrou em 1990, Marconi Perillo em 1999 e Ronaldo Caiado em 2019. Deixou de ser surpresa, virou maldição, o Halloween na ressaca do réveillon. E o que vem por aí pode até ser foguete de espantar cachorro, mas não vai ser um traque de menino jogar no pé do colega: os números oficiais indicam que está mais para bomba.

Não é preciso ser muito inteligente para saber que adiar a quitação com empreiteiros e outros prestadores de serviços, ainda que MEIs, não fará o governador Daniel Vilela (MDB) perder votos, caso mantenha em dia os vencimentos dos servidores e os 30 programas sociais. Existem as técnicas, que unem jeitinho a omissão e complacência. Por exemplo: postergar os repasses à Assembleia Legislativa e ao Judiciário, os poderes onde não reside crise relativa a circulação da moeda sonante, até por não ser atribuição do Tribunal de Justiça fazer projetos demagógicos como os do Executivo. No 1º semestre deste ano, o funcionalismo custou R$ 10 bilhões e 475 milhões apenas em salários do Executivo.

Vai se tornando pior a cada 30 dias

Somados, os salários, as gratificações, as diárias, as férias e os penduricalhos devem ficar na faixa dos R$ 2 bilhões mensalmente neste fim de semestre com sete meses, somado o 13º salário. Vai se tornando pior a cada 30 dias. Em junho deste ano, os servidores custaram R$ 1 bilhão e 850 milhões e a folha tem subido mais que com os ventos de outono. Somem-se a esse descalabro os R$ 300 milhões do desequilíbrio entre despesa e receita, acrescentando estoque à dívida e cratera à previdência. Falar nela dá até arrepios nos responsáveis: simplesmente, está impossível administrá-la. O Governo de Goiás gasta mais com previdência que com a tríplice coroa de suas atribuições: supera a Educação em 1/5, a Saúde em 1/3 e o dobro da Segurança. Ou seja, é uma grande ideia postergar o depósito das futuras aposentadorias e pensões, honrar a data com quem está na ativa e recolher nas urnas o resultado desses esforços.

Outro insight genial, pena que não seja inédito, é pedir a compreensão do Judiciário, caso a coisa aperte no final deste mês ou em setembro ou, mais maravilhoso ainda, com caixa para pagar outubro antes do último domingo, quando se realizará um eventual 2º turno. Seus mais de R$ 200 milhões seriam muito úteis ao menos para o supermercado e a farmácia de parte dos servidores do Executivo. Além da Justiça, o Tribunal de Contas do Estado poderia colaborar com seus R$ 36 milhões. Difícil é convencer TJ e TCE a mexerem em suas reservas e investimentos com único desiderato de evitar desgastes para a chefia do Executivo.

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Judiciário deu sua parcela de contribuição

No passado, o Judiciário deu sua parcela de contribuição, à vontade ou na marra, para evitar choro e ranger de dentes entre os servidores do poder sediado na Praça Cívica Pedro Ludovico Teixeira, no Centro de Goiânia – a sede do TJ é no Setor Sul e a do Legislativo, às margens da Rodovia BR-153, na saída para São Paulo, num bairro com o estranhíssimo nome de estacionamento em inglês e cordilheira com erro de espanhol, Park Lozandes.

Na Assembleia Legislativa, o governador não encontrará problema, pois mantém a maioria construída pelo antecessor, além de contar com oposição consentida, que passou 90 meses calada, não seria agora, no apagar das lamparinas, que começaria a fiscalizar alguma coisa. As fontes das informações contidas em análises como esta publicadas em O HOJE são oficiais, porém, teclado aceita tudo. É impossível saber com exatidão como está o caixa das companhias, das agências e de secretarias fundamentais, como as três citadas acima.

Tudo isso só será conhecido após a abertura das urnas

Os empresários de eventos estão recebendo em dia? Tudo igualmente certo com os que fazem os milhares de outdoors de todos os tamanhos espalhados por tudo quanto é biboca e beira de estrada? A locação de veículos, máquinas e equipamentos está regularizada no caixa? Não dá para afirmar ou negar. Tudo isso só será conhecido pormenorizadamente após a abertura das urnas do 1º ou, talvez, do último domingo de outubro. E se a vitória for da oposição, apenas depois da posse, no réveillon com cara de dia de finados. (Especial para O HOJE)

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Daniel Vilela Goiás Opinião Política

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