quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Operação Sem Desconto

Presidente da Conafer é preso pela PF por suspeita de fraude no INSS

Carlos Roberto Ferreira Lopes se entregou à Polícia Federal após meses como foragido; entidade é investigada por descontos não autorizados em benefícios

Thais Munizpor Thais Muniz em
inss
Carlos Roberto Ferreira Lopes — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), em Brasília. Ele se entregou na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal após permanecer foragido desde novembro de 2025.

Lopes é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes no INSS envolvendo descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A Conafer está entre as entidades investigadas no caso.

A prisão ocorreu meses depois de a Polícia Federal cumprir mandado contra o presidente da entidade, em 17 de novembro de 2025. Na ocasião, ele não foi localizado e passou a ser considerado foragido.

Na época, a Conafer negou que Lopes tivesse fugido. Em nota, a entidade afirmou que o presidente estava “em viagem em área de difícil acesso e com limitação de comunicação” e que estaria retornando.

O que a PF investiga no esquema de fraudes no INSS

Segundo as investigações, aposentados e pensionistas tiveram valores descontados mensalmente de seus benefícios como se fossem associados a entidades. No entanto, os beneficiários não teriam autorizado as cobranças nem aderido às associações.

A apuração começou em 2023, a partir de uma investigação administrativa conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU). Depois que foram identificados indícios de crimes, a Polícia Federal passou a atuar no caso, em 2024.

A PF aponta a Conafer como uma das entidades envolvidas no esquema. Conforme as investigações, a organização teria movimentado valores relacionados aos descontos e realizado pagamentos ilícitos a agentes públicos para obter favorecimento.

A apuração também identificou suspeitas de que beneficiários eram abordados em suas residências para assinar documentos apresentados como atualização cadastral. De acordo com a investigação, alguns desses documentos teriam sido utilizados posteriormente para criar registros de filiação associativa sem autorização.

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Presidente da Conafer foi indiciado pela Polícia Federal

A Polícia Federal concluiu o inquérito relacionado ao caso e indiciou Carlos Roberto Ferreira Lopes e outros integrantes da Conafer. Entre os crimes atribuídos ao presidente da entidade estão organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada.

O relatório da PF também cita outros investigados no esquema de fraudes no INSS. Entre eles estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O ex-ministro da Previdência Social José Carlos Oliveira também foi indiciado. Ele passou a utilizar o nome Ahmed Mohamad após se converter ao islamismo. Segundo a investigação, Oliveira é suspeito dos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele nega as acusações.

A prisão de Lopes ocorreu após sua apresentação voluntária à Polícia Federal. Segundo a Conafer, a entrega não representa reconhecimento de responsabilidade ou confissão. A entidade afirmou ainda que ele pretende apresentar documentos e outros elementos para sua defesa.

A Operação Sem Desconto investiga descontos associativos realizados diretamente nos benefícios do INSS. O caso envolve diferentes entidades e suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas para viabilizar ou facilitar as cobranças.

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