Advogada e falsa advogada são presas por golpe em Goiás
Dupla é investigada por receber dinheiro de clientes que acreditavam estar quitando financiamentos de veículos
Uma advogada e uma mulher que, segundo a Polícia Civil, se passava por advogada foram presas durante a Operação Quitação Falsa, deflagrada em Goiás. As duas são investigadas por um suposto esquema envolvendo falsas quitações de dívidas de financiamentos de veículos.
Segundo o delegado Henrique Berocan, Keythlyn Evelyn Teixeira de Lima não possui registro como advogada e teria utilizado o token de uma profissional da área e um cartão com símbolo relacionado à Justiça para passar aos clientes a impressão de que exercia a profissão.
A outra investigada, Patrícia de Oliveira Santos, possui registro como advogada.
Em nota, a defesa de Keythlyn afirmou que ela não teria envolvimento com a administração do escritório e atuaria apenas como funcionária. A defesa de Patrícia informou que os processos mencionados na investigação envolvem questões processuais.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que acompanha o cumprimento dos mandados por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), com o objetivo de resguardar as prerrogativas da advocacia. Segundo a entidade, entre os nomes citados na operação, apenas uma pessoa possui inscrição ativa nos quadros da OAB-GO.
Clientes acreditavam que dívida havia sido quitada
De acordo com a investigação, as suspeitas ofereciam serviços relacionados a processos de revisão de financiamentos.
Em determinado momento, elas informavam aos clientes que o banco teria apresentado uma proposta para quitar o financiamento do veículo.
As vítimas, então, realizavam depósitos nas contas das investigadas acreditando que os valores seriam utilizados para quitar as dívidas.
Segundo a Polícia Civil, o dinheiro, porém, não era repassado ao banco. Com isso, os proprietários dos veículos poderiam continuar com a dívida e até ser surpreendidos por mandados de busca e apreensão dos automóveis.
“Quando a pessoa pagava o boleto, o boleto nem existia, não tinha quitação nenhuma”, afirmou o delegado.
Golpe seria aplicado desde 2020
A investigação começou depois que uma vítima procurou a Polícia Civil para denunciar o caso. A partir da apuração, os investigadores encontraram registros relacionados às suspeitas em diferentes períodos.
Segundo o delegado, existem ocorrências relacionadas ao grupo desde 2020, além de registros em 2024, 2025 e 2026.
“Esse golpe é antigo. Desde 2020”, disse Henrique Berocan.
Inicialmente, a polícia identificou duas vítimas. Uma delas teria sofrido prejuízo de aproximadamente R$ 40 mil, enquanto a outra perdeu cerca de R$ 20 mil.
A Polícia Civil acredita que o número de vítimas possa aumentar com o avanço das investigações.
Documentos e celulares são apreendidos
Durante a operação, os policiais apreenderam documentos, dispositivos eletrônicos e anotações.
Também foram identificados depósitos, transferências bancárias e conversas pelo WhatsApp relacionadas às supostas quitações.
Segundo o delegado, as duas mulheres seriam as responsáveis pelo negócio e lucrariam diretamente com a atividade investigada. A polícia apura ainda a participação de outras pessoas no esquema.
A orientação da Polícia Civil é para que pessoas que tenham contratado os serviços das investigadas procurem uma delegacia e confirmem diretamente com a instituição financeira se houve, de fato, a quitação do financiamento.
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