Garotinho de volta ao jogo: Como um ex-governador que já foi preso pode disputar novamente o governo do Rio?
Anthony Garotinho está novamente no centro da disputa pelo Governo do Rio de Janeiro
Por Luciana Perez
O ex-governador, Anthony Garotinho, que já foi preso e enfrentou processos e condenações ao longo de sua trajetória política, voltou a colocar seu nome na corrida eleitoral de 2026.
Mas a candidatura levanta uma pergunta que muita gente está fazendo:
Como alguém que já foi preso pode voltar a disputar uma eleição?
A resposta passa pelo Direito Eleitoral.
Ser preso ou ter sido preso não significa, automaticamente, estar impedido de disputar uma eleição. O que determina a possibilidade ou não de candidatura é a existência de uma causa de inelegibilidade prevista na legislação e a situação jurídica concreta do candidato.
E o caso de Garotinho é particularmente complexo.
UMA CONDENAÇÃO FOI ANULADA
Em 2026, o Supremo Tribunal Federal anulou uma condenação eleitoral que havia imposto a Garotinho uma pena de 13 anos de prisão por acusações relacionadas à compra de votos no chamado caso Chequinho. A decisão atingiu justamente uma das condenações que mais pesavam sobre sua situação política.
Com essa decisão, abriu-se espaço jurídico para que Garotinho voltasse a tentar disputar uma eleição.
Mas a história não termina aí.
OUTRA CONDENAÇÃO ESTÁ NO CENTRO DA DISPUTA
O Ministério Público sustenta que Garotinho continua alcançado por outra causa de inelegibilidade relacionada a uma condenação por improbidade administrativa.
Nesta semana, o MP pediu à Justiça a execução da condenação e a comunicação à Justiça Eleitoral da suspensão dos direitos políticos por oito anos.
É justamente esse ponto que pode transformar a candidatura em uma batalha judicial.
Portanto, dizer simplesmente que “Garotinho está liberado” ou que “Garotinho está inelegível” pode ser precipitado.
O que existe é uma disputa jurídica sobre quais decisões ainda produzem efeitos eleitorais e por quanto tempo.
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O PASSADO VOLTA À CAMPANHA
Independentemente da decisão da Justiça Eleitoral, o passado de Garotinho inevitavelmente estará presente na campanha.
O político já ocupou o Palácio Guanabara, disputou eleições nacionais e estaduais e enfrentou episódios de prisão e processos judiciais.
Agora, tenta novamente voltar ao cargo que ocupou entre 1999 e 2002.
A pergunta política passa a ser tão importante quanto a jurídica:
o eleitor fluminense está disposto a dar uma nova chance a um político que já comandou o estado e que carrega uma longa trajetória de disputas judiciais?
A PALAVRA FINAL É DA JUSTIÇA ELEITORAL
A candidatura apresentada pelo partido não significa necessariamente que Garotinho estará definitivamente nas urnas.
O registro ainda pode ser questionado, e o Ministério Público Eleitoral, adversários e outras partes legitimadas podem apresentar impugnações.
A Justiça Eleitoral terá que analisar os processos e decidir se, diante da situação jurídica atual, Garotinho preenche todos os requisitos para disputar a eleição.
No fim, a questão não é simplesmente:
“Ele já foi preso?”
A pergunta juridicamente correta é:
“Existe hoje alguma causa de inelegibilidade que impeça Anthony Garotinho de disputar a eleição?”
E essa resposta depende das decisões judiciais que ainda estão em andamento.
Enquanto isso, o ex-governador volta ao cenário político do Rio — e sua candidatura promete ser uma das mais controversas da eleição de 2026.
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