Saída de Zé Gordo do PSDB coloca Daniel Vilela e grupo de Marconi em disputa por força política em Sanclerlândia
Saída de Zé Gordo do PSDB e apoio a Daniel Vilela têm pouco impacto na base de Marconi Perillo em Sanclerlândia, diz Itamar Leão
A saída do prefeito de Sanclerlândia, Zé Gordo, do PSDB e sua aproximação com o vice-governador Daniel Vilela (MDB) tiveram poucos efeitos sobre o cenário político municipal. Apesar do apoio declarado do prefeito a Daniel para a disputa pelo Governo de Goiás em 2026, a cidade mantém uma base política ligada ao ex-governador Marconi Perillo, construída ao longo de mais de quatro décadas e que tem entre suas principais referências o ex-prefeito Itamar Leão (PSDB). A mudança representa uma nova posição política de Zé Gordo, mas não necessariamente a transferência de toda a estrutura que historicamente esteve ligada ao grupo tucano em Sanclerlândia.
Ex-prefeito por 16 anos, Itamar Leão afirma acompanhar Marconi Perillo há 43 anos e mantém o apoio ao ex-governador para a disputa de 2026. Candidato a deputado federal, o tucano também procura preservar a força política construída no município ao longo de sua trajetória. Segundo Itamar, a permanência de aliados demonstra que a mudança de posição do atual prefeito não alterou de maneira significativa a correlação de forças local. “Nós temos o apoio do atual vice, dois terços dos vereadores”, afirmou o ex-prefeito ao comentar a composição política que permanece ao lado do grupo de Marconi.
A declaração ganha peso porque a relação entre Itamar e Zé Gordo não começou com a atual disputa política. O atual prefeito chegou ao comando da Prefeitura com o apoio de Itamar, que participou de sua campanha e foi uma das principais lideranças responsáveis pela construção da candidatura que levou Zé Gordo ao Executivo municipal. Agora, os dois seguem em campos diferentes. Enquanto Zé Gordo se aproxima de Daniel Vilela e do grupo que comanda o Governo de Goiás, Itamar permanece aliado de Marconi e sustenta que a estrutura política tucana continua presente em Sanclerlândia.A aproximação de Zé Gordo com Daniel Vilela, por outro lado, vinha sendo construída antes da saída do PSDB. O prefeito passou a participar de agendas do vice-governador e declarou apoio ao projeto de Daniel para 2026. Para o chefe do Executivo municipal, a escolha está relacionada à construção de uma relação institucional capaz de trazer benefícios para Sanclerlândia. A mudança de partido, portanto, formaliza um movimento político que já vinha sendo percebido e coloca o prefeito no campo governista para a próxima disputa estadual.
Apoio de prefeito não significa controle dos votos
O contraponto apresentado por Itamar está justamente na capacidade de transferência desse apoio. O ex-prefeito afirma que a maior parte da Câmara Municipal permanece ao lado de Marconi, assim como o atual vice-prefeito, e sustenta que sua relação política de 43 anos com o ex-governador continua sendo um ativo importante no município. A avaliação é de que Zé Gordo pode ter mudado de grupo, mas não levou automaticamente consigo toda a estrutura política que ajudou a elegê-lo. A divisão exposta em Sanclerlândia revela, portanto, uma diferença entre o posicionamento pessoal do prefeito e a posição de outras lideranças que integram a base política da cidade.
A situação também traz um problema para o projeto de Daniel Vilela. O apoio de um prefeito tem peso político e pode representar uma importante demonstração de força, mas não significa, necessariamente, que toda a estrutura do município acompanhará a mesma decisão. Em Sanclerlândia, a permanência do vice-prefeito e de dois terços da Câmara ao lado de Itamar mostra justamente essa diferença entre o apoio formal de um chefe do Executivo e a capacidade de mobilização de uma estrutura política. A questão que fica para o grupo de Daniel é se o apoio declarado por Zé Gordo será suficiente para garantir votos na eleição estadual.
Esse ponto ganha ainda mais relevância diante da estratégia de ampliação da base de Daniel Vilela. Ter o apoio de 200 prefeitos, por exemplo, representa uma demonstração de força política, mas não significa automaticamente ter o controle eleitoral de 200 municípios. Há uma diferença importante entre contabilizar uma prefeitura na lista de apoios e efetivamente transformar essa adesão em votos. Um prefeito pode declarar apoio a determinado candidato, mas a transferência desse apoio depende da força política local, da relação com vereadores e lideranças e, principalmente, da capacidade de mobilização junto ao eleitorado. Em Sanclerlândia, a divisão exposta pela mudança de Zé Gordo mostra justamente que uma coisa é ter o apoio do prefeito; outra, bem diferente, é ter a estrutura política e os votos daquele município.
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