Espuma aparece no Rio Meia Ponte em Goiânia e mobiliza investigação
Semad e Polícia Civil coletam amostras para investigar ocorrência; Saneago afirma que fenômeno foi registrado após ponto de captação
A presença de uma grande quantidade de espuma no Rio Meia Ponte, na região do setor Caiçara, em Goiânia, mobilizou órgãos ambientais na manhã desta sexta-feira (14). O fenômeno chamou a atenção de moradores e pessoas que passavam pelo local, principalmente porque o rio é considerado estratégico para o abastecimento de água e para diferentes atividades econômicas em Goiás.
Equipes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) estiveram no trecho durante a manhã para verificar as condições do rio e investigar a origem da espuma. Técnicos utilizaram uma sonda multiparamétrica para avaliar parâmetros físico-químicos e também fizeram uma análise das condições ambientais do curso d’água e das margens.
Amostras são coletadas
Durante a fiscalização, os técnicos recolheram amostras de água superficial em quatro pontos do Rio Meia Ponte: na ponte da Avenida Perimetral, na ponte da Avenida Pedro Paulo, na Avenida Meia Ponte e na ponte da BR-153. O material foi encaminhado ao laboratório da Semad para análise.
A secretaria informou que a investigação continua e busca identificar tanto a origem quanto as possíveis causas da formação da espuma. A partir dos resultados laboratoriais e das informações obtidas em campo, os órgãos ambientais deverão avaliar quais providências serão necessárias. Caso sejam identificadas alterações nos parâmetros analisados ou alguma fonte de contaminação, poderão ser adotadas medidas de controle e remediação.
A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente -DEMA também enviou equipes ao local para acompanhar a ocorrência e realizar coleta de amostras. A investigação busca esclarecer se houve algum lançamento irregular e se a formação de espuma provocou ou pode provocar danos ambientais.
Segundo informações obtidas no local, os investigadores identificaram uma relação entre a ocorrência e efluentes tratados pela Saneago. A apuração, no entanto, ainda deve esclarecer quais condições provocaram a formação da espuma e se houve alguma irregularidade no processo. A análise técnica é considerada fundamental para determinar se houve alteração na qualidade da água e se existe algum impacto sobre o ecossistema do rio.
Saneago afirma que espuma ocorre após captação
Em nota, a Saneago informou que a população não corre risco em relação à qualidade da água destinada ao abastecimento. Segundo a companhia, os pontos onde houve formação de espuma ficam após o local de captação utilizado para abastecimento público.
A empresa também explicou que a espuma foi registrada em um trecho afastado do ponto de lançamento do efluente tratado da Estação de Tratamento de Esgoto Dr. Hélio Seixo de Britto. De acordo com a Saneago, o local possui queda d’água e intenso turbilhonamento, condições que, associadas à baixa vazão do rio durante o período de estiagem, podem favorecer a formação de espuma.
A companhia afirma ainda que o fenômeno pode estar relacionado à presença de compostos encontrados em detergentes, sabões e produtos de limpeza, que reduzem a tensão superficial da água e facilitam a mistura entre ar e água.
Rio é estratégico para Goiás
A preocupação com a ocorrência está relacionada à importância do Meia Ponte para o abastecimento e para a economia goiana. A bacia hidrográfica atende aproximadamente metade da população do Estado de Goiás e concentra municípios da Região Metropolitana de Goiânia.
Além do abastecimento, as águas do Meia Ponte são utilizadas em atividades industriais e agropecuárias. Por isso, alterações na qualidade do rio são acompanhadas pelos órgãos ambientais, especialmente durante períodos de estiagem, quando a menor vazão pode aumentar a concentração de determinadas substâncias na água.
A Saneago informou que, em 2025, concluiu a etapa de tratamento secundário da ETE Dr. Hélio Seixo de Britto, com investimento de R$ 133,2 milhões. Segundo a empresa, o sistema de lodos ativados elevou para mais de 90% a remoção de carga orgânica do esgoto tratado.
Os resultados das análises realizadas pela Semad e os demais levantamentos deverão indicar as causas da ocorrência e se houve algum impacto ambiental. Até a conclusão das avaliações técnicas, os órgãos responsáveis ainda não apontaram dano ao abastecimento ou ao meio ambiente.
Leia mais aqui:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.