terça-feira, 20 de outubro de 2026
Economia

Casas Bahia pede recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Dívida de R$ 17,3 bilhões leva Casas Bahia a pedir recuperação judicial

Otavio Augustopor em
Casas Bahia pede recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
Foto: Divulgação

O Grupo Casas Bahia protocolou, na noite de domingo (16), um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida envolve a companhia e outras nove empresas do grupo. O objetivo é reorganizar as finanças e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

Segundo a empresa, o pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. A solicitação foi apresentada ao Foro Central Cível de São Paulo, que concentra processos de falência e recuperação judicial.

A companhia informou ainda que pretende manter as atividades durante o processo. As lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda devem continuar funcionando.

Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, os acionistas ainda precisarão ratificar a decisão em Assembleia Geral Extraordinária.

Três anos de reestruturação não evitaram novo pedido

A recuperação judicial ocorre após cerca de três anos de medidas para reorganizar as contas da empresa.

Em 2023, a Casas Bahia iniciou um Plano de Transformação. A estratégia previa redução de custos, mudanças na operação e aumento da geração de caixa.

Na primeira etapa, a companhia fechou 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano. Também reduziu aproximadamente 8.600 postos de trabalho.

Posteriormente, em 2024, a empresa recorreu à recuperação extrajudicial. Na ocasião, renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.

A estratégia, porém, não foi suficiente para resolver os problemas financeiros. Em agosto de 2026, a empresa promoveu uma nova rodada de ajustes. Cerca de 3 mil funcionários foram demitidos e quase 300 lojas foram fechadas.

Atualmente, segundo a petição apresentada à Justiça, o grupo emprega mais de 20 mil pessoas.

Juros altos e crédito restrito pressionaram o caixa

A Casas Bahia atribuiu o novo pedido ao agravamento das condições financeiras. Entre os fatores citados estão os juros elevados, a restrição ao crédito, o aumento das despesas financeiras e a redução do consumo.

Além disso, a empresa informou que não conseguiu concluir operações de captação consideradas necessárias para reforçar o caixa.

Entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, a companhia realizou reuniões com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. O objetivo era buscar novas fontes de financiamento. Entre as alternativas avaliadas estava uma possível oferta de ações.

A empresa também negociou uma operação com investidores internacionais. A negociação, entretanto, não avançou após a desistência do investidor considerado âncora.

Outras alternativas, como empréstimos-ponte e novas linhas de crédito, também não foram concluídas.

Diante desse cenário, a companhia informou que decidiu recorrer à recuperação judicial para reorganizar suas obrigações e preservar as operações.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões antecedeu pedido

No mesmo domingo em que anunciou a recuperação judicial, a Casas Bahia divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026.

A companhia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Desse total, aproximadamente R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao processo de reestruturação.

Segundo a empresa, esses valores não tiveram impacto imediato no caixa.

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Foto: Divulgação

Entre os ajustes estão a revisão do valor de créditos tributários que poderiam ser utilizados no futuro. A companhia também constituiu provisões para possíveis disputas e obrigações contratuais. Além disso, reavaliou ativos, incluindo lojas e outros bens.

Apesar do resultado negativo, alguns indicadores operacionais avançaram no período. A receita líquida cresceu 1,6%, para R$ 6,98 bilhões.

As vendas realizadas diretamente pela internet também aumentaram. O crescimento chegou a 15,3%, para R$ 2,8 bilhões.

A empresa informou ainda que ampliou a geração de caixa, reduziu a dívida líquida e aumentou o prazo de vencimento da maior parte dos financiamentos.

Pedido envolve dez empresas do grupo

Além da Casas Bahia, o processo inclui outras nove empresas ligadas ao grupo. São elas:

  • ASAP Log – Logística e Soluções Ltda.;
  • ASAP Log Ltda.;
  • CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda.;
  • Cntlog Express Logística e Transporte Ltda.;
  • Globex Administração e Serviços Ltda.;
  • Cnova Comércio Eletrônico S.A.;
  • Integra Soluções para Varejo Digital Ltda.;
  • Casas Bahia Tecnologia Ltda.;
  • Indústria de Móveis Bartira Ltda.

A recuperação judicial permite que a empresa apresente um plano para reorganizar suas dívidas e negociar as condições de pagamento com os credores, seguindo as regras previstas na legislação.

Empresa também muda integrantes da direção

O anúncio da recuperação judicial ocorreu no mesmo dia em que a companhia comunicou alterações na administração.

O vice-presidente jurídico e tributário, Fábio Spina, deixou o cargo. Ele atuava na empresa desde 2024 e continuará prestando serviços de consultoria durante o processo de reestruturação.

Para a posição, a Casas Bahia nomeou Sírley Lima. A executiva tem mais de 20 anos de experiência e já trabalhou em empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.

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Foto: Divulgação

A companhia também informou a saída dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón.

Com as mudanças, Cláudia Woods passou a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário. André Luiz Helmeister assumiu uma vaga no Comitê de Finanças.

Jackson Schneider, apesar de deixar o Conselho de Administração, continuará à frente dos comitês de Auditoria, Riscos, Compliance e Investigação.

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casas bahia Comércio eletrônico crédito divida Economia empresas lojas Recuperação Judicial reestruturação financeira varejo

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