Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua na China
Xu Jiayin recebeu a sentença por fraude e suborno; empresa também foi multada em mais de US$ 2 bilhões em meio à prolongada crise imobiliária chinesa.
A Justiça chinesa condenou nesta quinta-feira (20) Xu Jiayin, fundador da incorporadora Evergrande, à prisão perpétua por crimes relacionados à gestão da companhia. O grupo também recebeu uma multa superior a US$ 2 bilhões, equivalente a R$ 10,34 bilhões. A decisão foi tomada por um tribunal de Shenzhen, no sul da China, e encerra a principal etapa judicial contra um dos empresários que simbolizaram a expansão do mercado imobiliário do país.
Xu, de 67 anos, admitiu em abril ter cometido fraude e suborno. De acordo com a sentença, entre 2016 e 2021, a Evergrande e seu fundador manipularam informações financeiras para aumentar artificialmente o valor dos ativos e esconder dívidas. O tribunal também apontou o uso de pagamentos ilegais para obter controle sobre instituições financeiras. Cinco executivos receberam penas de seis a 18 anos, enquanto outros 56 acusados foram condenados a períodos de até um ano e 10 meses.
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A trajetória de queda da Evergrande começou a se intensificar em 2020, quando Pequim adotou medidas para conter o endividamento excessivo das incorporadoras. Com dificuldades para obter novos financiamentos e redução nas vendas de imóveis, a empresa perdeu capacidade de honrar compromissos. A companhia entrou em processo de falência em 2021, teve a liquidação determinada por um tribunal de Hong Kong em 2024 e deixou de ter suas ações negociadas na bolsa local em agosto de 2025.
A crise da incorporadora se tornou um dos símbolos dos problemas enfrentados pelo setor imobiliário chinês, que durante décadas impulsionou o crescimento econômico. A queda nas vendas e a desconfiança dos consumidores passaram a dificultar a recuperação do segmento, em um momento no qual o governo tenta ampliar o peso do consumo interno na economia. Para 2026, Pequim estabeleceu uma meta de crescimento entre 4,5% e 5% do PIB, enquanto dados recentes apontam desaceleração, com varejo enfraquecido em julho e retração dos investimentos imobiliários até o mesmo mês.
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