Brasil pode passar por recessão em 2027, segundo especialistas
Juros elevados, endividamento das famílias e crédito mais caro aumentam a cautela para o próximo ano e devem pressionar setores importantes da economia goiana
Com o atual cenário econômico do País, o mercado financeiro enxerga um futuro desanimador para os próximos anos. Nas últimas semanas, a taxa Selic chegou ao patamar de 14% e, nas projeções do Boletim Focus desta semana, a Selic terminará 2027 em 12% ao ano.
Porém, esse cenário está longe da expectativa do início de 2026, onde a perspectiva era de uma Selic abaixo dos 11%. Com isso, os juros sobem e impactam a população e o setor produtivo, principalmente nos preços de produtos.
De acordo com dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 75,8% dos lares em Goiás possuíam algum tipo de dívida em março deste ano. O nível de endividamento está ligado à alta taxa de juros.
Em uma realidade de orçamentos familiares apertados, por conta da inflação elevada, o cartão de crédito aparece como uma saída para completar a renda. Segundo a pesquisa, o crédito permanece como a principal modalidade de dívida em Goiás e no País.
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo feito com 76 companhias que operam na bolsa de valores, a expectativa da maioria delas é que a economia tenha um crescimento menor no próximo ano e que os juros altos afetem ainda mais as operações na comparação com este ano. O economista Luiz Carlos Ongaratto avalia que a manutenção desse cenário deve continuar pressionando setores da economia e terá reflexos em Goiás.
Segundo Ongaratto, o Estado não está protegido dos efeitos do crédito mais caro, principalmente em atividades que dependem diretamente de financiamento para sustentar vendas e investimentos. “A questão da taxa de juros elevada tem afetado todo o mercado brasileiro, e Goiás não está protegido em relação a isso”, afirma ao O HOJE.
Entre os segmentos mais sensíveis, Ongaratto cita a construção civil, o varejo e o mercado de veículos. No setor imobiliário, o economista aponta sinais de desaceleração, como o aumento dos distratos e a redução das vendas. “A construção civil é um dos motores também da economia goiana e brasileira. A gente já observa, dentro do mercado imobiliário, o aumento do número de distratos e a desaceleração das vendas”, explica.
Para o economista, “muitos setores do comércio, principalmente, vão sentir essa continuidade de juros elevados”. O impacto, segundo Ongaratto, não se limita ao consumidor. Empresas também enfrentam custos maiores para financiar operações, investimentos e dívidas. Na avaliação do economista, o comportamento dos juros futuros e o custo da dívida pública dificultam uma redução mais consistente das taxas praticadas no mercado.
Cenário marcado por dificuldades
Para 2027, a avaliação do economista é de um cenário ainda marcado por dificuldades. Ongaratto considera que uma melhora mais significativa dependeria de mudanças na condução da política econômica, principalmente em relação às contas públicas.
“Se não houver uma mudança de direcionamento na política do governo brasileiro, em relação à contenção de gastos, à austeridade fiscal e a querer, de fato, gerar uma diminuição de riscos, o mercado todo vai continuar sofrendo muito”, afirma.
Na manhã desta quinta-feira (20), em entrevista ao Jornal da CBN, o ministro Dario Durigan, falou sobre a retomada da credibilidade da economia brasileira, que é algo necessário para uma mudança no cenário econômico. Entre as ações citadas pelo porta-voz do governo estão a manutenção do arcabouço fiscal, com ajustes e com controle do gasto obrigatório.
Adoção de novas medidas
Além disso, Durigan disse que para reduzir os juros será necessário tomar medidas como a subvenção ao etanol, a redução do gasto obrigatório para o próximo ano, ajustes no piso constitucional da saúde e a revisão de benefícios tributários.
Ongaratto também chama atenção para as projeções de crescimento da atividade econômica, onde indicam uma possível recessão. “A inadimplência tende a aumentar, o ambiente de negócios tende a deteriorar ainda mais, a não ser que haja uma mudança, de fato, estrutural, de direcionamento e de gestão”, comenta.
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