ONU realiza nova votação para escolher sucessor de António Guterres
Conselho de Segurança analisa oito candidaturas em processo marcado por disputa regional e pressão por uma mulher no comando da organização
O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou nesta sexta-feira (21) uma nova rodada de consultas para medir o apoio aos candidatos que disputam a sucessão de António Guterres como secretário-geral da ONU. O português, de 77 anos, deixará o cargo em 31 de dezembro, ao fim de seu segundo mandato de cinco anos. A votação ocorreu de forma reservada e envolveu os 15 integrantes do Conselho.
Os representantes avaliaram anonimamente cada uma das oito candidaturas com três opções: “apoia”, “não apoia” ou “sem opinião”. A maioria dos nomes é da América Latina, em um processo que também ganhou força com a pressão para que uma mulher ocupe pela primeira vez o posto máximo da organização. A embaixadora da Dinamarca, Christina Lassen, responsável pela presidência rotativa do Conselho neste mês, afirmou que os candidatos receberão os resultados por meio dos países que apresentaram suas indicações.
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Rebeca Grynspan, da Costa Rica, saiu na frente na primeira votação indicativa, realizada em 30 de julho. A ex-vice-presidente costa-riquenha e atual diretora da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), de 70 anos, recebeu o maior número de manifestações favoráveis naquela etapa. Também concorrem Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana; Rafael Grossi, da Argentina; Michelle Bachelet, do Chile; María Fernanda Espinosa, do Equador; Olara Otunnu, de Uganda; Macky Sall, do Senegal; e Ivonne Baki, do Equador.
O processo ocorre em um cenário de forte instabilidade dentro da ONU, marcado por divisões no Conselho de Segurança, dificuldades financeiras e questionamentos sobre o papel do organismo no sistema multilateral. Para chegar à etapa final, um candidato precisa obter ao menos nove votos no Conselho e não ser barrado por nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. A escolha ainda pode se estender por semanas ou meses, e novas candidaturas poderão surgir caso não haja convergência em torno dos nomes atualmente em disputa.
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