segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Eleições 2026

Agendas distintas de Gayer e Wilder demonstram falta de união da legenda em Goiás

Historiador afirma que cenário do Partido Liberal nas eleições majoritárias no Estado é parecido com o vivido pelo MDB no pleito de 2002

Weigler Soarespor Weigler Soares em
Agendas distintas de Gayer e Wilder demonstram falta de união da legenda em Goiás
Durante a pré-campanha, os dois principais quadros do PL goiano discordaram da estratégia eleitoral. Foto: Reprodução.

Após o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), anunciar apoio ao governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB), o debate sobre a força das candidaturas majoritárias do PL em Goiás, especialmente a do senador e governadoriável Wilder Morais, volta a ganhar força. O racha na legenda não é recente, nem a aproximação com a base governista. 

As negociações para aproximação esfriaram quando a sigla optou por participar da disputa pelo governo estadual com uma chapa encabeçada pelo presidente estadual Wilder Morais. Esse movimento estremeceu a relação entre o senador e o deputado federal Gustavo Gayer (PL). 

Durante a pré-campanha, membros do PL trabalharam para uma conciliação dos dois principais quadros do partido, que foi selada na convenção partidária, no início de agosto. Apesar das declarações de união, as movimentações de campanha indicam voos solo, como destaca mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé. 

“Se estivesse unido, estaria com a agenda casada agora. Eu não participo da campanha do Gayer no dia a dia, mas tem que acompanhar a agenda do candidato. Se de fato existe uma união, se de fato um está ligado ao outro, a agenda acaba combinando, acaba coincidindo. Quando isso não acontece, aí você começa a perceber que tem algo de errado, sobretudo nessa eleição majoritária, em que você tem a eleição para o governo e duas para o Senado. Então, assim, até que ponto nas agendas do Gayer tem Wilder e vice-versa?”, afirma Zancopé.

A adesão à base era defendida pelo deputado federal visando uma dobradinha com Gracinha Caiado (UB) na disputa pelo Senado. A estratégia era vista com bons olhos por Gayer, uma vez que aumentaria as chances para conquistar uma das cadeiras na Casa Alta. O especialista em Marketing Político Marcos Marinho aponta que essas divergências estratégicas advêm da falta de unidade partidária.

“Já era assim desde o início. Gayer sempre quis estar na base do Caiado acreditando que, dobrando com a Gracinha, os dois pegariam a maioria dos votos da direita. O PL não tem comunhão programática, nem atua como grupo, é apenas um ajuntado de projetos individuais que possuem no Bolsonaro o seu ponto de intersecção. Cada um lutando pelo seu próprio mandato, sob a bandeira do bolsonarismo”, ressalta Marinho.

Estratégias de campanhas

Zancopé explica que Gayer e Wilder seguem estratégias diferentes de campanha. Mesmo oficialmente juntos, o senador tem contado apenas com o apoio efetivo da candidata a vice, Ana Paula Rezende (PL). Já Gayer visa o segundo voto de coligações adversárias.

“Gustavo Gayer procura fazer uma campanha quase que solo para o Senado, porque para Gustavo Gayer é interessante ter o segundo voto de quem vai votar na Gracinha, no Vanderlan [Cardoso (PSD)], no Zacharias [Calil (MDB)], no [Gustavo] Mendanha (PRD), quem quer que seja”, afirma Zancopé.

Para o historiador, a conjuntura das candidaturas majoritárias do PL para o pleito deste ano se assemelha ao cenário vivido pela chapa emedebista em 2002. Naquele ano, Maguito Vilela (MDB) disputava o Palácio das Esmeraldas e Iris Rezende uma cadeira na Casa Alta. Devido a divergências, os dois candidatos fizeram campanhas separadas e acabaram derrotados pela chapa governista, com Marconi Perillo (PSDB) pela reeleição ao governo, Demóstenes Torres (PFL) e Lúcia Vânia (PSDB) ao Senado.

Segundo turno

O candidato ao governo pelo PSDB, Marconi Perillo, afirmou em entrevista à rádio Difusora, na última sexta-feira (21), que houve tratativas com Wilder Morais para um acordo de apoio mútuo em um eventual segundo turno contra Daniel Vilela. No entanto, por meio de nota, o senador descartou as conversas e afirmou que o assunto só “será discutido se acontecer”. 

Nesse contexto, Marcos Marinho não vê possibilidade de disputa entre Gayer e Wilder para definição de apoio: “A depender se o Gustavo for eleito senador, penso que ele sai do radar e vai ajudar o [presidenciável] Flávio [Bolsonaro (PL)] no segundo turno. Se não for eleito, Wilder pode articular com Marconi, pensando em 2030, ou vão liberar a base”. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também