sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Arthur Ghannam fala sobre IA e marketing no Manda Vê com Elas

Empresário e estrategista discutiu promessas de facilidade no mercado digital, inteligência artificial, infoprodutos e os desafios de quem empreende

Luana Avelarpor em
Manda Vê
Arthur Ghannam participa do Manda Vê com Elas, apresentado por Marília Sylwitch e Ludmila Paim. Foto: Gabriel Louza/ O Hoje

Na última quarta-feira (26), o podcast Manda Vê com Elas recebeu o empresário e estrategista Arthur Ghannam para uma conversa sobre marketing digital, negócios e inteligência artificial. Durante o episódio, conduzido por Marília Sylwitch e Ludmila Paim, o convidado falou sobre o início da carreira, a relação com clientes, o mercado de infoprodutos e as promessas de resultados rápidos que se multiplicaram na internet nos últimos anos.

 

 

A ideia de facilidade apareceu logo nos primeiros minutos da conversa. Ghannam contestou o discurso de coaches e gurus que apresentam o mercado digital como um caminho simples e afirmou que a construção de resultados exige trabalho. Ao longo dos anos, observou, a promessa de uma solução definitiva assumiu diferentes formatos: passou pelas agências, ganhou espaço em métodos, mentorias e consultorias e encontrou um novo campo com a popularização da inteligência artificial.

A entrada de Ghannam no digital ocorreu justamente em busca de maior independência financeira. Ainda jovem, queria depender menos do pai quando um amigo, Gabriel, apresentou o trabalho com tráfego. Depois das primeiras aulas sobre o assunto, conseguiu um cliente em cerca de uma semana. A partir daí, ampliou o campo de atuação, aprendeu outras funções, trabalhou em agência e chegou a liderar equipes.

O desenvolvimento profissional também serviu para uma reflexão sobre aprendizado. Ghannam relacionou a construção de habilidades à dedicação e ao tempo destinado a determinado assunto. A experiência no marketing o levou ainda a observar padrões de comportamento, desde a reação de uma pessoa diante de um anúncio até as decisões tomadas depois do contato com determinado conteúdo.

Inteligência artificial sem solução mágica

A inteligência artificial ocupou uma parte do programa. Durante uma formação recente, Ghannam encontrou empresários interessados em substituir equipes inteiras por ferramentas de IA. O episódio chamou a atenção para a expectativa criada em torno de uma tecnologia frequentemente apresentada como capaz de resolver diferentes problemas de uma empresa.

Ghannam colocou essa expectativa em perspectiva. A inteligência artificial pode ampliar capacidades, acelerar tarefas e colaborar em etapas específicas, mas não elimina automaticamente a necessidade do trabalho humano. A relação direta com o cliente, por exemplo, apareceu como uma área em que a presença de pessoas continua relevante.

Ao mesmo tempo, a tecnologia pode assumir funções de apoio, principalmente em processos que exigem rapidez, como contatos iniciais e respostas mais simples. O avanço dessas ferramentas, porém, não permite prever com segurança como será o cenário daqui a alguns anos. O próprio Ghannam tratou as previsões definitivas sobre o futuro da inteligência artificial como especulação.

A conversa também abordou os efeitos da facilidade proporcionada por essas tecnologias. Questionado sobre o desenvolvimento das máquinas e a disposição das pessoas para pensar, o empresário demonstrou preocupação com o segundo ponto e levantou dúvidas sobre os impactos que o acesso imediato a respostas pode provocar na formação dos jovens.

O marketing não substitui o dono

A expectativa depositada sobre o marketing levou o episódio a outro problema recorrente nas empresas: a tentativa de transferir para um profissional externo toda a responsabilidade pelo desempenho de um negócio.

Ghannam relatou situações em que clientes contratavam um serviço e esperavam que o marketing resolvesse sozinho questões relacionadas a vendas, posicionamento e percepção de marca. A condução de um projeto, no entanto, depende também da participação de quem conhece a empresa, acompanha suas decisões e entende aquilo que pretende construir.

Nesse processo, o proprietário precisa permanecer envolvido. Sem essa participação, o resultado corre o risco de refletir apenas a visão do profissional contratado, e não a identidade do negócio. Marketing, portanto, aparece como parte da construção, e não como substituto de quem está à frente da empresa.

A mesma cautela vale para a promessa de resultados. Ghannam afirmou não trabalhar com certezas. Estratégias podem reunir ações que apontem para determinada direção, mas o desempenho final depende de uma série de variáveis e não pode ser garantido antecipadamente.

Experiências com clientes ajudaram a mostrar essa diferença entre expectativa e necessidade. Em uma das situações relatadas, Ghannam percebeu que o serviço solicitado não correspondia ao que o negócio precisava naquele momento. A experiência reforçou uma posição defendida ao longo do programa: nem todo cliente está pronto para determinado trabalho e nem todo contrato precisa ser aceito apenas porque existe a possibilidade de retorno financeiro.

Um mercado mais acessível e mais disputado

Os infoprodutos também entraram na conversa. Cursos online, e-books e outros produtos digitais ganharam espaço nos últimos anos e tiveram forte expansão durante a pandemia, período em que diferentes atividades passaram a depender ainda mais da internet.

A criação desse tipo de produto, que antes exigia uma estrutura maior, tornou-se mais acessível com celulares, plataformas digitais e, mais recentemente, ferramentas de inteligência artificial. A redução das barreiras de entrada também aumentou a quantidade de pessoas produzindo e comercializando conteúdos.

O cenário tornou o mercado mais competitivo. A facilidade de colocar um produto no ar não significa, porém, que o resultado seja igualmente simples. A discussão retomou uma ideia que atravessou diferentes momentos do episódio: reproduzir um processo não garante que negócios distintos cheguem ao mesmo resultado.

Para além dos negócios

A parte final da conversa abriu espaço para questões pessoais. Ghannam relatou um período recente em que mudanças na vida e na empresa foram acompanhadas por alterações no próprio comportamento. Ao perceber que já não se reconhecia da mesma maneira, procurou atendimento médico.

O empresário também falou sobre a importância da esposa durante esse período, além do apoio de amigos e da fé. A experiência alterou inclusive sua percepção sobre episódios depressivos. Uma situação que antes poderia parecer simples de enfrentar passou a ser compreendida a partir da dificuldade real de encontrar energia para reagir.

Entre tecnologia, negócios e vida pessoal, o Manda Vê com Elas apresentou um Arthur Ghannam disposto a questionar a lógica dos atalhos. O episódio aproximou assuntos diferentes por uma mesma questão: ferramentas, métodos e profissionais podem ampliar possibilidades, mas não eliminam trabalho, participação e responsabilidade de quem conduz um projeto.

O episódio completo do podcast Manda Vê com Elas, apresentado por Marília Sylwitch e Ludmila Paim, está disponível no canal do YouTube.

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