Enchentes e deslizamentos deixam 362 mortos e mais de 1,4 mil desaparecidos entre Nepal e Tibete
Desastre destruiu vilarejos, derrubou pontes e atingiu áreas turísticas; autoridades mantêm buscas e alertam para possibilidade de novas inundações
Equipes de emergência seguem mobilizadas nesta quinta-feira (27) para localizar mais de 1.400 pessoas desaparecidas após uma sequência de enchentes e deslizamentos na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território autônomo da China. Pelo menos 362 mortes foram confirmadas nos dois lados da fronteira, enquanto comunidades inteiras ficaram destruídas. As operações de resgate enfrentam dificuldades provocadas pela lama, pelos destroços e pelo terreno montanhoso.
No Nepal, 359 corpos foram recuperados e 910 pessoas continuam desaparecidas, entre elas 517 estrangeiros. No lado tibetano, a imprensa estatal chinesa informou inicialmente três mortos e 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros. Entre os desaparecidos estão turistas e peregrinos de diferentes nacionalidades que viajavam pela região em direção ao monte Kailash, considerado sagrado por hindus.
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A força da enxurrada destruiu casas, pontes e estruturas de contenção e atingiu os vales dos rios Trishuli, no distrito de Nuwakot, e Bhote Koshi. Imagens registradas por uma câmera de segurança no lado chinês mostram uma onda de lama e destroços avançando sobre um prédio de vários andares enquanto moradores tentavam escapar. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o deslocamento provocado pelo desastre chegou a ser registrado como um evento sísmico de magnitude 5,2, após o colapso parcial de uma geleira.
As buscas continuam nos dois países, mas há preocupação com a possibilidade de uma nova inundação. O especialista Qianggong Zhang, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD), alertou para o risco de outro episódio devido a um bloqueio no curso superior do rio que atravessa a fronteira. No Tibete, a China mobilizou cerca de 800 socorristas, além de cães farejadores e embarcações, enquanto o Nepal tenta remover lama e escombros. O desastre ocorreu durante a temporada de monções, período marcado por fortes chuvas, e especialistas relacionam o aumento de eventos extremos ao aquecimento global.
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