José Mário Schreiner permanece na base após negociações com oposição em Goiás
Presidente da Faeg manteve conversas com Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), mas optou pela permanência no grupo governista
A escolha do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, em permanecer na base aliada do governador Daniel Vilela (MDB) foi um dos últimos desfechos sobre o apoio de lideranças em relação aos candidatos ao Governo de Goiás. Schreiner será o coordenador-geral da campanha do emedebista. O anúncio oficial da aliança acontecerá na próxima segunda-feira (31), em uma coletiva às 17h, no comitê da campanha do governador.
A decisão de Schreiner sobre o apoio na disputa pelo governo estadual era aguardada pelo meio político. Desde que foi preterido pelo ex-senador Luiz do Carmo (PSD) na escolha da vice de Daniel, o representante do agro mantinha negociações com outros projetos que miram o Palácio das Esmeraldas. O apoio do ex-deputado federal também era desejo do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e do senador Wilder Morais (PL). Ambos convidaram Schreiner para participar de suas respectivas campanhas.
A principal investida foi do tucano. Marconi, que manteve durante toda pré-campanha a estratégia de buscar aproximação de dissidentes da base governista, ofereceu a vaga de vice em sua chapa para Zé Mário após o anúncio de Luiz do Carmo como parceiro na chapa de Daniel. A oferta incluía o comando do PRTB no Estado para o presidente da Faeg.
Mesmo após a escolha da produtora rural de Rio Verde Jacqueline Zaiden (PSDB) como vice de Marconi, o grupo tucano seguiu nas investidas pelo apoio do representante do agro. No último dia 13, o ex-governador e a produtora rural visitaram a Faeg. Apesar de oficialmente o encontro ter sido tratado como uma visita institucional de um candidato à entidade, nos bastidores, a reunião foi encarada como uma nova investida dos tucanos.
Ouviu as propostas, mas ficou na base
Segundo fontes ouvidas sob reserva pela reportagem do O HOJE, Schreiner ouviu as propostas de governo de Marconi e Wilder, mas optou por seguir com Daniel por “acreditar no projeto do emedebista mais do que acreditou nos demais”.
Para o professor da UFG Guilherme Carvalho, a decisão também está relacionada à percepção, entre lideranças políticas, de que Daniel mantém uma posição de vantagem na corrida pelo governo estadual. “Nos bastidores, eles não estão sentindo projeção de poder vindo nem de Marconi e nem de Wilder, porque Daniel segue estável na liderança das pesquisas de opinião. É melhor você ter um pequeno papel em um governo futuro do que nenhum papel”, avalia.
Carvalho analisa que a função dentro da campanha deve ampliar a influência política do presidente da Faeg dentro de uma eventual segunda gestão de Daniel. “Ser coordenador da campanha mostra que ele vai ser alguém escutado, vai poder indicar secretários em um eventual próximo governo, e isso é importante. É elevar o patamar dele”, afirma.
Amplitude da coalizão
A permanência de Schreiner também interessa ao próprio governo, segundo o cientista político, por ajudar a preservar a amplitude da coalizão que sustenta Daniel. A presença de uma das principais lideranças do setor agropecuário na campanha funciona como uma ponte entre o grupo palaciano e um segmento considerado estratégico para a economia estadual.
Carvalho avalia ainda que essa relação poderá ganhar importância diante dos desafios fiscais do Estado. O professor cita a revogação da Taxa do Agro e a necessidade de o governo discutir alternativas de arrecadação no futuro, em razão da situação fiscal “delicada” do Estado. “Os setores que mais podem pagar como agro e mineração vão acabar de alguma forma vindo para essa mesa para poder discutir esses fatores”, pontua.
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