segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Impasse

Médicos da rede municipal de Goiânia avaliam possibilidade de greve

Categoria realiza assembleia neste domingo (31) para decidir os próximos passos da mobilização contra a Portaria nº 550/2026

Renata Ferrazpor em
Médicos da rede municipal de Goiânia avaliam possibilidade de greve
Simego afirma que mais de uma centena de médicos relatou dificuldades com a nova distribuição das 20 horas semanais - Divulgação/ABr

Médicos concursados da rede municipal de Saúde de Goiânia podem decidir pelos próximos passos de uma mobilização que inclui a possibilidade de greve. O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) convocou a categoria para uma Assembleia Geral Extraordinária na próxima segunda-feira (31), às 20h. Entre os pontos que serão discutidos está o indicativo de paralisação, após o impasse entre os profissionais e a Prefeitura de Goiânia sobre mudanças na distribuição da jornada de trabalho.

A discussão envolve a Portaria nº 550/2026, publicada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que alterou regras relacionadas à organização da jornada dos servidores da área. Segundo o Simego, a medida mudou uma dinâmica já adotada por parte dos médicos e passou a dificultar a compatibilização da carga horária no município com outros vínculos públicos legalmente acumuláveis e compromissos profissionais previamente organizados.

Mudança na jornada provoca impasse

De acordo com o sindicato, mais de uma centena de médicos procurou a entidade para relatar dificuldades após a publicação da nova regra. O principal ponto de discordância envolve a possibilidade de cumprimento da jornada semanal de 20 horas em quatro períodos de cinco horas, incluindo dois períodos no mesmo dia, modelo que, segundo o Simego, já era praticado por diversos profissionais.

A entidade afirma que não questiona o controle de frequência nem o cumprimento integral da carga horária prevista para os servidores. A reivindicação está relacionada à forma como essas horas são distribuídas ao longo da semana. Para o sindicato, a imposição de um modelo considerado rígido pode interferir na organização das equipes e levar profissionais a reconsiderarem a permanência na rede municipal.

A preocupação, segundo o Simego, vai além da situação funcional dos médicos. A entidade argumenta que mudanças sem considerar as particularidades de cada unidade podem provocar dificuldades na formação de escalas e afetar a continuidade do atendimento à população.

Categoria tentou negociar com a SMS

Antes da convocação da assembleia, representantes dos médicos participaram de reuniões com a Secretaria Municipal de Saúde e apresentaram propostas para alterar a aplicação da portaria. Entre as sugestões estavam diferentes possibilidades de distribuição da jornada e a análise individual de situações específicas, considerando o funcionamento dos serviços.

As negociações, porém, ainda não resultaram em um acordo sobre o principal ponto do conflito. Segundo o Simego, a contraproposta apresentada pela gestão municipal não atende à possibilidade defendida pelos médicos para a organização das 20 horas semanais.

Para a entidade, a assembleia foi convocada após o esgotamento das tentativas administrativas de negociação. O sindicato afirma que os profissionais buscaram apresentar alternativas e defendem uma solução construída em conjunto com a administração municipal.

A discussão sobre um indicativo de greve não significa, necessariamente, que os médicos irão interromper imediatamente as atividades. Caso a proposta seja aprovada, a categoria poderá definir novas etapas de mobilização e os procedimentos necessários antes de uma eventual paralisação.

O próprio Simego afirma que qualquer decisão deverá considerar as exigências legais e a necessidade de manutenção dos serviços essenciais. A assembleia, portanto, será o momento em que os médicos decidirão se intensificam a mobilização, retomam as negociações ou avançam para outras medidas.

Histórico de paralisações

A possibilidade de uma nova paralisação ocorre meses depois de outro movimento envolvendo profissionais da Saúde durante a gestão do prefeito Sandro Mabel. Em janeiro deste ano, médicos credenciados da rede pública municipal participaram de uma paralisação em Goiânia. Na época, o Simego apontou problemas relacionados à segurança e à estrutura das unidades, além da desvalorização dos trabalhadores.

O movimento de janeiro também reuniu outros profissionais credenciados da Saúde, que reclamavam de salários atrasados e das condições de trabalho. À época, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que os pagamentos eram realizados até o 20º dia do mês seguinte e negou atrasos nos repasses. Sobre a falta de insumos, a pasta informou que havia adquirido mais de 200 tipos de medicamentos e materiais para a rede de atenção à saúde.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para saber qual será a posição da gestão diante do indicativo de greve e quais medidas serão adotadas a partir de agora para tentar solucionar o impasse com os médicos. Até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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