sábado, 29 de agosto de 2026
TRAGÉDIA NO HIMALAIA

Nepal calcula até R$ 25,9 bilhões para reconstruir áreas destruídas por enchentes

Governo ainda calcula os prejuízos provocados pela avalanche de lama, pedras e gelo que atingiu o país

Thais Munizpor em
nepal
Imagens de drone mostram propriedades cobertas de lama após uma enchente repentina em Trishuli, distrito de Nuwakot, Nepal, em 27 de agosto de 2026 — Foto: Navesh Chitrakar/g1

O Nepal estima que poderá precisar de até US$ 5 bilhões, cerca de R$ 25,9 bilhões, para reconstruir as áreas atingidas pelas enchentes e pelos deslizamentos provocados pelo colapso de uma geleira. O cálculo foi apresentado pelo ministro das Finanças do país, Swarnim Wagle, em entrevista à Reuters.

A estimativa ainda é preliminar. Segundo Wagle, o governo continua levantando os prejuízos causados pelo desastre, que atingiu principalmente áreas próximas à fronteira com o Tibete.

Até este sábado (29), o Nepal registrava 675 mortes. Com as sete vítimas contabilizadas no lado tibetano, o número total de mortos chegou a 682. Além disso, milhares de pessoas permanecem desaparecidas na região.

Desastre provocou destruição em áreas estratégicas

O desastre começou na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira provocou uma avalanche formada por pedras, gelo, lama e outros detritos. O material atingiu rios da região do Himalaia e contribuiu para as inundações.

As águas destruíram pontes e estradas e atingiram cidades próximas à fronteira. Grandes instalações de geração de energia também sofreram danos.

Os projetos hidrelétricos afetados correspondem a mais de 12% da capacidade nacional de geração de energia do Nepal. A destruição ocorre em um país cuja economia também depende do turismo e das remessas enviadas por nepaleses que vivem e trabalham no exterior.

O valor previsto para a reconstrução equivale a quase 10% da economia do Nepal. Ainda assim, o governo calcula que a necessidade de recursos deverá ser inferior à registrada depois do terremoto de magnitude 7,8 que atingiu o país em 2015.

Naquele ano, mais de 8 mil pessoas morreram e a reconstrução foi estimada em US$ 9 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 46,7 bilhões em valores apresentados na reportagem de referência.

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Mais de 2,9 mil pessoas continuam desaparecidas

As buscas também seguem nas áreas atingidas. Somando Nepal e Tibete, o número de desaparecidos se aproxima de 3 mil pessoas.

No Nepal, as autoridades contabilizam 2.426 desaparecidos. No Tibete, são 554. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros que estavam na região no momento da tragédia.

O governo nepalês informou que não solicitou ajuda internacional para as operações gerais de busca e resgate. No entanto, pediu suporte técnico para situações específicas.

O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, afirmou que o país consegue conduzir os trabalhos convencionais, mas precisa de conhecimento especializado para algumas operações.

Entre os pedidos estão equipamentos e equipes capazes de retirar pessoas presas em túneis, além de apoio para a identificação de corpos. Nepal também solicitou a Índia e China a instalação de pontes provisórias para restabelecer o transporte na região.

Mais de 20 pontes foram completamente destruídas pelas enchentes.

A situação também afetou os hospitais locais. As unidades ficaram sobrecarregadas e enfrentam dificuldades para armazenar os corpos encontrados durante as operações.

“É provável que mais corpos sejam encontrados nesses locais onde os hospitais estão sobrecarregados com cadáveres e não possuem refrigeradores para armazená-los”, afirmou Khanal.

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