MP rejeita denúncia dos filhos de Erasmo Carlos contra viúva
Herdeiros pediram investigação sobre movimentações de R$ 345 mil, incluindo uma transferência realizada no dia da morte do cantor
O Ministério Público decidiu não dar prosseguimento à acusação apresentada por Leonardo Esteves e Gil Esteves, filhos de Erasmo Carlos, contra a viúva do cantor, Fernanda Esteves. Os herdeiros pediram que fossem investigadas movimentações financeiras que somam R$ 345 mil.
A notícia-crime havia sido encaminhada à Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro. O principal ponto questionado era uma transferência de R$ 300 mil registrada em 22 de novembro de 2022, data em que Erasmo morreu, aos 81 anos. De acordo com os filhos, o valor saiu de uma conta pertencente ao artista e teria sido destinado a uma conta vinculada à viúva. A movimentação teria ocorrido enquanto Erasmo ainda estava internado.
Os herdeiros argumentaram que, após o falecimento, os recursos deveriam integrar o espólio e ser submetidos às regras do inventário. Uma segunda transação, no valor de R$ 45 mil, também foi questionada. A quantia teria sido movimentada semanas depois da morte do cantor para o pagamento de serviços jurídicos contratados por Fernanda.
MP não viu elementos para investigação criminal
Ao analisar a representação, o Ministério Público entendeu que as informações apresentadas não eram suficientes para justificar a abertura de uma investigação criminal contra a viúva. O órgão também identificou um viés misógino na forma como as suspeitas contra Fernanda foram apresentadas. A decisão foi divulgada inicialmente pela coluna Gente, da revista Veja.
A rejeição da notícia-crime impede o avanço dessa acusação específica na esfera criminal. As demais divergências entre Fernanda e os filhos de Erasmo, no entanto, continuam sendo discutidas na Justiça.
Disputa envolve apartamento e objetos pessoais
A relação entre a viúva e os herdeiros vem sendo marcada por desacordos envolvendo o patrimônio deixado pelo artista. Um dos principais pontos da disputa é o apartamento em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde Erasmo e Fernanda moravam. O imóvel é avaliado em aproximadamente R$ 8 milhões. Fernanda possui 50% do apartamento, pois seu nome já constava na escritura. A outra metade integra o espólio do cantor.
A viúva deixou o imóvel em abril deste ano. Na ocasião, afirmou que não recebia recursos do espólio e que não conseguia mais pagar as despesas mensais de manutenção, estimadas em mais de R$ 10 mil.
Os filhos cobram cerca de R$ 170 mil referentes a despesas que alegam ter quitado. A Justiça determinou que a parcela do aluguel correspondente à viúva seja depositada judicialmente enquanto o processo continua. Fernanda contesta a cobrança.
A disputa também alcançou objetos pessoais e profissionais de Erasmo. Em 2024, uma ordem de busca e apreensão foi cumprida no apartamento para localizar bens do espólio.
Entre os itens procurados estavam troféus do Grammy Latino, uma guitarra da década de 1960 e cadernos com memórias e composições do artista. Parte dos objetos não foi localizada.
Roberto Carlos ofereceu ajuda
Roberto Carlos teria oferecido auxílio financeiro a Fernanda em duas ocasiões, segundo informações da Veja. A viúva, porém, recusou as duas propostas. O cantor mantém contato frequente com Fernanda e foi testemunha no processo de reconhecimento da união estável dela com Erasmo.
A participação teria provocado um afastamento entre Roberto e Leonardo Esteves, filho mais velho do Tremendão. Leonardo trabalhou na negociação de shows de Roberto Carlos.
Erasmo Carlos morreu em novembro de 2022. A disputa pelo espólio envolve questões patrimoniais e familiares que continuam sob análise da Justiça, independentemente da rejeição da denúncia criminal pelo Ministério Público.
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