TRE-SP manda remover falsa notícia sobre atentado contra Hang
Publicações acusavam Fernando Haddad de ser mandante de um crime que nunca ocorreu e direcionavam usuários para uma página fraudulenta
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a remoção de publicações no X que divulgavam um falso atentado contra o empresário Luciano Hang, dono da Havan.
O conteúdo também acusava o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) de ser o suposto mandante do crime, que, segundo a Justiça Eleitoral, nunca aconteceu.
As publicações eram utilizadas como isca para direcionar usuários a um site fraudulento que prometia ganhos financeiros por meio de uma suposta plataforma de investimentos.
A decisão foi tomada pela juíza auxiliar da propaganda eleitoral do TRE-SP, Domitila Manssur, após pedido apresentado pela coligação Desperta São Paulo e pelo próprio Haddad.
Segundo a magistrada, as publicações ultrapassavam o limite de críticas e opiniões políticas porque apresentavam como verdadeiro um crime que não ocorreu.
Página imitava jornal
As publicações direcionavam os usuários para um site que reproduzia a identidade visual do jornal O Globo para criar a aparência de uma reportagem verdadeira.
A página utilizava fotos, declarações atribuídas a Hang, entrevista fictícia e comentários simulados de leitores.
O próprio Luciano Hang havia alertado, no dia 25 de agosto, que sua imagem estava sendo utilizada indevidamente em páginas fraudulentas.
Como funcionava o golpe
De acordo com as informações apresentadas à Justiça, o conteúdo começava com a falsa informação de que Luciano Hang teria sido vítima de um atentado.
A narrativa tentava relacionar o suposto ataque à atuação de Hang no mercado financeiro e apresentava uma plataforma de investimentos como uma oportunidade de obter ganhos elevados.
Na sequência, o site apresentava uma suposta entrevista com o empresário, também forjada, na qual ele acusaria Haddad e o governo de tentar impedir o funcionamento da plataforma.
Depois, o conteúdo abandonava o formato de notícia e passava a apresentar promessas de ganhos financeiros.
A página utilizava relatos fictícios e até materiais produzidos com inteligência artificial para tentar aumentar a credibilidade da fraude.
Promessa de ganhos elevados
O site apresentava valores específicos para convencer os usuários a realizar depósitos.
Segundo a decisão, um investimento inicial de R$ 500 poderia gerar supostos rendimentos mensais entre R$ 5.500 e R$ 8.200.
Em um segundo nível de investimento, chamado de “Pacote de Crescimento”, a promessa chegava a R$ 14 mil por mês.
O conteúdo também apresentava uma seção de comentários fictícios, utilizada para criar uma falsa sensação de que outras pessoas haviam obtido resultados positivos com a plataforma.
X terá que remover publicações
A juíza determinou que o X remova, no prazo de 24 horas, os conteúdos publicados nos perfis @789farh e @thadeusimoes.
A plataforma também deverá preservar dados cadastrais, informações de pagamento e metadados relacionados às publicações.
Além disso, o X terá que informar à Justiça, em até 48 horas, se houve impulsionamento pago dos conteúdos e quem teria sido responsável pelo pagamento.
Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 5 mil por dia, limitada a R$ 50 mil.
Por enquanto, a magistrada negou os pedidos para suspender as contas e bloquear o site utilizado no golpe. Segundo a decisão, essas medidas seriam desproporcionais neste momento.
Luciano Hang nega relação com plataforma
Luciano Hang afirmou, em publicação nas redes sociais, que é falsa a informação sobre um suposto atentado contra ele.
O empresário disse que não sofreu nenhum ataque e está bem.
Hang também afirmou que imagens dele foram manipuladas para dar credibilidade ao golpe e associar sua imagem a uma plataforma de investimentos.
Segundo o empresário, criminosos já utilizaram sua imagem anteriormente, inclusive por meio de manipulações com inteligência artificial, para divulgar produtos, investimentos falsos e aplicar golpes.
Hang reforçou ainda que ele e a Havan não recomendam, não participam e não possuem relação com plataformas de investimento financeiro.
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