quarta-feira, 4 de novembro de 2026
GREVE DOS ADMINISTRATIVOS

Administrativos da Educação de Goiânia protestam no Paço por novo plano de carreira

Categoria reivindica valorização profissional na estrutura da rede municipal de ensino; TJ-GO determinou manutenção de 70% dos servidores em atividade durante a paralisação

Gabriel Diaspor em
Servidores administrativos
Servidoras administrativas da Educação municipal durante manifestação em frente ao Paço Municipal, nesta quarta-feira (2). (Foto: Arquivo pessoal)

Servidores administrativos da Rede Municipal de Educação de Goiânia participaram de manifestação em frente ao Paço Municipal na manhã desta quarta-feira (2). A mobilização ocorre no contexto da greve da categoria, iniciada em 17 de agosto e organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), que reivindica um novo plano de carreira e a valorização dos profissionais.

Entre as principais lideranças do movimento estão a deputada estadual Bia de Lima (PT), presidente licenciada do Sintego, e a vereadora Ludmylla Morais (PT), presidente em exercício da entidade. A última proposta da prefeitura, apresentada em 21 de agosto, previa elevar o piso salarial do Nível I para R$ 1.640, com reajustes progressivos até 2030, pagamento integral dos dias parados e manutenção dos benefícios e gratificações já recebidos. A proposta foi rejeitada pela categoria e, segundo o Paço, retirada após o encerramento das negociações.

Virgínia Cruz é servidora administrativa há 18 anos e trabalha como porteira. A funcionária lamenta a condição salarial da categoria. “Sou uma das funcionárias que recebem menos de um salário mínimo, por isso preciso de um complemento: o salário é de R$1.622, e recebo R$1.653. Ficamos tristes porque há anos lutamos para melhorar nossos salários dentro da data-base.”

“Estamos reivindicando o plano de carreira. A prefeitura apresentou uma atualização da grade salarial: quer descongelar os níveis e as letras, hoje congelados, e parcelar o reajuste, 2% mais 12%, ao longo de quatro anos, além da data-base, já garantida por lei. Achamos o prazo muito longo. Olhando só a tabela, a proposta não seria ruim; o problema é a duração, até 2030. Dependendo da letra, do nível e do tempo de casa, o reajuste chega a R$ 300, e teríamos que esperar quatro anos para recebê-lo”, descreve Cruz.

Marli Silva, servidora administrativa há 17 anos, também destaca a importância de um novo plano de carreira e contesta as promessas do prefeito Sandro Mabel (UB) sobre a valorização da categoria. “Ele fez um compromisso conosco no início do mandato: disse que a prioridade seria valorizar o servidor da Educação e construir um plano de carreira. Hoje não temos um plano que contemple a categoria, e isso é muito difícil, porque perdemos poder de compra, o que eu ganhava em 2016 já não compensa hoje. Praticamente pagamos para trabalhar”.

Kristiane Carvalho, técnica administrativa há 18 anos, destaca a força da categoria, que pela primeira vez em Goiânia organizou uma greve autônoma. “Essa greve é histórica, porque os administrativos nunca estiveram à frente de uma greve sozinhos, sem os professores. Dessa vez, nós apoiamos como classe, e é bonito de ver. Estamos deixando de ter medo de lutar pelos nossos direitos, a maioria tinha medo, porque sempre houve abordagens dentro das escolas para desestimular a participação em greves e manifestações. Dessa vez, enfrentamos essa greve de peito aberto.”

Contingente mínimo

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) determinou que as unidades da rede municipal mantenham no mínimo 70% dos servidores administrativos em atividade durante a paralisação. A decisão do desembargador Augusto Ventura, da 1ª Seção Cível do TJ-GO, prevê multa diária de R$5 mil ao Sintego em caso de descumprimento, limitada a R$ 100 mil.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que a paralisação total está restrita a seis unidades educacionais e que, diante da continuidade da greve e do descumprimento da decisão judicial, o município ajuizou ação no TJ-GO na qual pede a declaração de ilegalidade do movimento e medidas para assegurar o cumprimento do percentual mínimo em cada unidade. A ação segue em tramitação.

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