Cury se sobrepõe a outros nomes da 3ª via, mas não teria força no 2º turno
Especialista em políticas públicas ouvido pelo O HOJE aponta teto de 15% a 18% para candidato do Avante
O médico e candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, tem se consolidado como a terceira opção em pesquisas recentes. Levantamentos realizados no fim do último mês indicam que o escritor atingiu os dois dígitos das intenções de votos.
Analistas políticos apontam que Cury reúne duas características que o colocam como uma terceira via diante da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL): é um outsider e se apresenta como uma alternativa ponderada.
Esse discurso já consta na literatura do presidenciável desde a década passada. Cury é conhecido por livros de autoajuda que já foram publicados em mais de 70 países, segundo dados do autor e das editoras que o publicam.
No livro “Gestão da emoção”, lançado em 2015, em um cenário de auge da Lava-Jato, o médico avalia que o maior problema do País não eram os escândalos da Petrobras, mas sim “a destruição dos sonhos no inconsciente coletivo” causada pelos acontecimentos.
Cury e outros postulantes à 3ª via
Onze anos mais tarde, agora na disputa pelo Palácio do Planalto, Cury ressoa as declarações. Nesse cenário, o historiador e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé destaca a efetividade de frases utilizadas pelo presidenciável e a diferenciação do nome do Avante para outros candidatos a presidente, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
“O Cury conseguiu mostrar que nenhum desses tem capacidade. Talvez de aglutinar em torno de si o anseio de uma população que se vê cansada ou desesperançosa desses embates entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse sentido, as frases de efeito que o Augusto Cury usa são muito boas, né? Aquela frase dele no Jornal Nacional: ‘Minha cabeça é capitalista, meu coração é social’”, ressalta Zancopé.
Apesar de valorizar a frase de efeito, o historiador ressalta a genericidade do pensamento, que já é visto há pelo menos uma década nas obras do médico: “É o que o brasileiro quer ouvir. Tem que ter a cabeça pensando na economia, mas o coração pensando no social. São frases assim, que não dizem nada e ao mesmo tempo falam: ‘Olha, o meu governo vai ser um governo de equilíbrio’”.
2º turno
O crescimento de Cury nas pesquisas o coloca como o terceiro candidato com mais intenção de votos, mas, ainda assim, permanece atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. Para chegar ao segundo turno, analistas apontam que Cury precisa vencer o candidato do PL, uma vez que, ao considerar o partido do escritor, tem mais capilaridade entre os eleitores desse campo ideológico.
Zancopé destaca a dificuldade de o candidato chegar ao segundo turno, “talvez por culpa do Avante”. O historiador diz acreditar que o teto do Cury seja de 15 a 18%. Mesmo com esse quadro, avalia como uma vitória para o partido, ao visar futuros pleitos.
“Se o Augusto Cury depois decidir ser candidato a senador, governador, deputado, a gente está falando de um cara que tem um potencial eleitoral a ser explorado pelos próximos 10, 20 anos. O Augusto Cury pode escolher o que ele quer ser após essa campanha. Mas eu não arrisco dizer que ele tem chance de segundo turno ou que ele poderá, se for ao segundo turno, ganhar do Lula”, pondera.
Dobradinha com Marconi
O ex-governador e postulante ao Palácio das Esmeraldas, Marconi Perillo (PSDB), declarou, na última quarta-feira (2), que pode apoiar Augusto Cury. O tucano não fez, até aqui, um apoio formal a qualquer um dos candidatos à Presidência da República.
Interlocutores da campanha do tucano afirmam que, ainda nesta semana, poderá haver alguma novidade em caráter oficial. No entanto, o presidente do Avante em Goiás, vereador Thialu Guiotti, que apoia a reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), descarta a possibilidade.
“Muito difícil. Nós estamos falando agora de um processo de praticamente 21, 22 dias úteis de campanha. Nós já estamos num processo que nós já estamos caminhando é para estar finalizando o processo eleitoral. É uma campanha extremamente rápida. É uma campanha que você tem aí 22 dias úteis para poder convencer o eleitorado de alguma coisa. E fazer uma aliança como essa neste momento… Eu não consigo enxergar isso de uma forma muito positiva nem para o Cury e nem para o candidato ao governo que não tem um candidato a presidente”, pontua Guiotti. (Especial para O HOJE)
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