Mendonça compara suposto monitoramento da PF a cenário de 1984
Ministro afirma ter sido alvo de espionagem ilegal e questiona relatórios de inteligência usados por Alexandre de Moraes
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou a um cenário semelhante ao retratado no livro 1984, de George Orwell, o suposto monitoramento realizado por setores da Polícia Federal. A declaração consta na decisão desta terça-feira (8), que determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da corporação.
Segundo Mendonça, pelo menos seis relatórios de inteligência foram produzidos entre 3 e 31 de agosto e chegaram ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes. Os documentos foram usados para embasar um pedido de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade relacionadas às apurações do Banco Master.
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Na decisão, o ministro questiona a validade dos relatórios e afirma que os documentos não possuíam assinatura, timbre, brasão ou elementos capazes de identificar formalmente seus responsáveis. Mendonça também sustentou que o material continha análises sobre decisões judiciais e classificou a suposta atuação como uma possível “arapongagem institucional”.
O magistrado ainda apontou um possível vazamento de informações sigilosas e citou referências feitas ao advogado-geral da União, Jorge Messias, nos relatórios. Para Mendonça, o material utilizou interpretações genéricas, inclusive sobre a relação entre os dois, mencionando uma suposta ligação política e religiosa. Além do afastamento de Andrei Rodrigues, o ministro determinou a abertura de investigações criminais e disciplinares sobre a produção dos documentos.
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