quarta-feira, 21 de outubro de 2026
eleições 2026

Disputa entre Marconi e Wilder por vaga no 2º turno movimenta campanha em Goiás

Analistas políticos ouvidos pelo O HOJE divergem sobre importância do apoio do PT na votação final

Weigler Soarespor em
Disputa entre Marconi e Wilder por vaga no 2º turno movimenta campanha
“O eleitor que está em jogo não é o eleitor do PT, é o eleitor do Wilder”, afirma cientista político Fotos: Hegon Correa, Marcos Souza/Divulgação PSDB, Edilson Rodrigues/Agência Senado e Marcos Kennedy/Alego

Já na metade do período de campanha, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) duelam por uma vaga em um eventual segundo turno contra o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB).

O tucano, que já governou o Estado em quatro mandatos, era visto como o favorito para a disputa. No entanto, pesquisas recentes apontam um crescimento do candidato do PL, que tem se associado à família Bolsonaro ao visar, principalmente, o eleitor que ainda não está engajado.

Em um quadro de segundo turno, dois grupos de eleitores podem fazer a diferença no resultado: o eleitor tucano ou bolsonarista (a depender de quem avançar) e o eleitor de Luis Cesar Bueno (PT), que neste momento figura como o quarto colocado na corrida eleitoral.

Neste cenário, analistas divergem sobre a importância deste segundo eleitorado. O cientista político e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Guilherme Carvalho argumenta que os três principais postulantes ao Palácio das Esmeraldas buscam se distanciar da esquerda.

Seguindo essa estratégia, o vereador Coronel Urzeda (PL) tentou atrelar o apoio petista à vitória do prefeito Sandro Mabel (UB) no pleito de 2024. O parlamentar, em discurso durante sessão plenária na Câmara de Goiânia nesta terça-feira (8), afirmou que o chefe do Executivo municipal não foi eleito devido aos esforços de Caiado, mas sim porque “o PT orientou a sua militância a votar no Mabel para não votar em uma pessoa do PL”.

Por outro lado, o historiador e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé destaca os índices atingidos por Cesar Bueno: “Primeiro a gente tem que reconhecer. Eu mesmo fui um analista que errei isso, porque jamais imaginei que o Luis Cesar Bueno teria esse teto de 10%. Eu imaginava que o Luis Cesar ia ficar entre 3%, 5% e talvez 7%, mas jamais 10%. Então assim, independente do seu contexto, você ter 10% do eleitorado goiano, que se identifica com o nome do PT, é muita coisa, isso tem que ser dito. Assim, a força do Lula ou a força do PT em Goiás não é algo que tem que ser desconsiderado ou desprezado. Só que o grande desafio no segundo turno vai ser convencer esses eleitores a irem votar”.

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2º turno

Em um cenário de segundo turno, com uma disputa entre o emedebista e o tucano, Guilherme Carvalho destaca a possibilidade de o eleitor petista se abster ou não votar em nenhum dos dois candidatos. “O petista tradicional tem problemas com o Marconi. Por outro lado, o Daniel é representação da continuidade do projeto Caiado. Então, a alternativa de anular o voto para governo é uma alternativa bem atrativa para esse eleitor”, ressalta o cientista político.

O vereador e candidato a deputado estadual Fabrício Rosa (PT) corrobora esse argumento: “Faço parte de um grupo que não votou no Mabel e não votarei em Marconi nem no Daniel. O PT é um partido plural, democrático, formado por várias forças”.

Bolsonarismo

O ex-governador e candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD), durante o desfile cívico-militar da última segunda-feira (7), minimizou a força do bolsonarismo em Goiás e, sem citar nomes, disse que os adversários de Daniel estão “desesperados”.

Em que pese o discurso de Caiado, Guilherme Carvalho aponta uma possível disputa por esse eleitorado entre Daniel Vilela e Marconi Perillo. “No cenário em que o Wilder não seja candidato, o eleitor que está em jogo não é o eleitor do PT, é o eleitor do Wilder. Esse sim está em disputa. Esse sim vai para a abstenção em parte, mas ele é o eleitor a se disputar. E aí você precisa radicalizar a direita, que ali tem voto, na esquerda não tem”, explica.

Nesse contexto, há uma tentativa de aproximação por parte do ex-governador, que inclusive chegou a declarar que há um acordo com o senador para apoio mútuo em um possível cenário de segundo turno contra Vilela. Entretanto, Wilder descartou a possibilidade. (Especial para O HOJE)

 

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