Marconi aposta no contraste com Caiado e Daniel para voltar ao governo de Goiás
Na primeira sabatina do Grupo O HOJE com os candidatos ao Governo de Goiás, tucano critica saúde, segurança, contas públicas e falta de obras das gestões Ronaldo Caiado e Daniel Vilela e apresenta propostas para um eventual 5º mandato
Bruno Goulart
Candidato do PSDB ao Governo de Goiás, Marconi Perillo aposta no contraste entre os governos que comandou e as gestões de Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB) para tentar voltar ao Palácio das Esmeraldas. Na primeira das sabatinas com os concorrentes ao governo estadual promovidas pelo Grupo O HOJE, o ex-governador afirma que Goiás perdeu o ritmo de investimentos, deixou de planejar o futuro e enfrenta problemas em áreas como saúde, segurança pública e habitação. Para sustentar a candidatura, Marconi resgata obras e programas de suas quatro administrações e apresenta uma lista de propostas para um eventual novo governo.
A principal crítica de Marconi é justamente à falta de obras e de planejamento. O ex-governador diz que o Estado deixou de ter uma agenda de investimentos de longo prazo e passou a concentrar esforços em programas que, na avaliação dele, apenas mudaram de nome. “Há uma frustração da minha parte de ver que todo aquele dinamismo que havia no meu tempo, obras por todo canto, eu até era chamado de tocador de obras, não tem isso mais”, afirma.
Na comparação feita pelo tucano, seus governos são apresentados como um período de expansão da infraestrutura e dos serviços públicos. Marconi cita escolas, hospitais, estradas, pontes, estações de tratamento de esgoto, programas habitacionais, universidades e investimentos na segurança pública. “Saúde funcionando, a polícia motivada, a educação em primeiro lugar no Brasil, programas de moradia atendendo centenas de milhares de famílias, obras em todas as áreas do governo”, destaca.
O ex-governador também critica o que considera falta de planejamento para os próximos anos. “Eu não vejo um cuidado do governo com o planejamento futuro. O planejamento que tem em Goiás hoje é o de 28 anos atrás, quando eu ganhei o governo, em 98”, declara.
Crítica aos programas que mudaram de nome
Outro eixo da crítica é a comparação entre programas criados em suas gestões e as iniciativas atuais. Marconi afirma que o governo de Caiado e Daniel teria apenas renomeado projetos que já existiam, sem promover mudanças na política pública.
Como exemplos, cita os Institutos Tecnológicos de Goiás (Itegos), que, segundo Marconi, foram criados em seus governos e posteriormente passaram a ser chamados de Escolas do Futuro. Também menciona o Restaurante Cidadão, hoje Restaurante do Bem; a Bolsa Universitária; o Renda Cidadã, transformado em Mães de Goiás; e o Vapt Vupt, que passou a se chamar Expresso. “Só mudaram. Não fizeram nada, não tem nada de novo. Tudo que veio veio da minha época”, afirma.
Saúde vira principal alvo
O candidato critica a atual estrutura hospitalar e diz que o governo não teria ampliado a rede de forma suficiente. Marconi também questiona as policlínicas anunciadas pelas administrações de Caiado e Daniel.
Segundo o tucano, foram prometidas 17 policlínicas, mas nenhuma teria sido construída como uma nova estrutura. Marconi afirma que as unidades existentes são, em grande parte, os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) que começaram a ser implantados em seus governos. “Eu desafio qualquer pessoa a mostrar qualquer policlínica que não tenha sido os AMEs que eu fiz como governador”, diz.
Marconi também cita obras dos Centros de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeqs), ao afirmar que unidades foram deixadas prontas ou em andamento e posteriormente abandonadas.
O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) também é alvo de críticas. Marconi classifica o empreendimento como uma obra de custo elevado e afirma que o projeto teria sido executado por um valor muito acima do que previa inicialmente. Segundo o candidato, o projeto custaria cerca de R$ 200 milhões e teria chegado a R$ 3 bilhões.
“Planejamento que tem hoje é o de 28 anos atrás, quando eu ganhei”

O ex-governador afirmou que o Ipasgo terminou 2018 com R$ 48 milhões de superávit. A partir desse dado, criticou a mudança promovida no instituto durante o governo Caiado. “Eles quebraram o Ipasgo por incompetência”
A situação financeira do Estado também é usada pelo tucano para fazer o contraponto com as gestões Caiado e Daniel. Marconi rejeitou a afirmação de que teria deixado Goiás em situação fiscal ruim e cita dados que, segundo o tucano, podem ser consultados no Portal da Transparência.
O ex-governador afirma que o Ipasgo terminou 2018 com R$ 48 milhões de superávit. A partir desse dado, criticou a mudança promovida no instituto durante o governo Caiado. “Eles quebraram o Ipasgo por incompetência”, critica.
Marconi também diz que Caiado e Daniel deixaram de pagar a dívida com a União durante sete anos e que o Estado acumulou recursos nesse período. Segundo o candidato, a dívida, que era de cerca de R$ 18 bilhões quando deixou o governo, teria passado de R$ 30 bilhões.
O tucano cita ainda um documento enviado por Caiado à Assembleia Legislativa em 2019, no qual, segundo Marconi, Caiado informava que o Estado havia deixado, na gestão do ex-governador Zé Eliton, R$ 1,03 bilhão de superávit primário em 2018.
Na outra ponta, Marconi afirma que Goiás terminou o ano passado com déficit de R$ 4,5 bilhões e avaliou que o rombo poderia chegar a R$ 6 bilhões neste ano. “É possível que a gente tenha um rombo de R$ 6 bilhões este ano”, declara.
Segurança: mais policiais e concurso
Na segurança pública, o candidato afirma que Goiás tem hoje cerca de 4 mil policiais militares a menos do que tinha em 2018. A primeira medida, caso seja eleito, seria chamar policiais aposentados e da reserva para reforçar o efetivo, mediante pagamento de gratificação.
PIX Moradia e retomada de obras

Na habitação, Marconi pretende recuperar uma das marcas de seus governos, o Cheque Moradia. A proposta é criar o PIX Moradia e o PIX Reforma. O programa seria executado em parceria com a Caixa Econômica Federal e as prefeituras.
Na infraestrutura, Marconi promete construir 400 quilômetros de rodovias duplicadas e asfaltar outros 3 mil quilômetros. Também prevê R$ 1 bilhão nos dois primeiros anos para ampliar a oferta de energia, principalmente para o agronegócio e a agroindústria.
Segundo Marconi, durante seus governos foram construídas 88 das 100 estruturas de tratamento de esgoto que o tucano contabiliza no Estado, além da barragem do João Leite, que considera uma das maiores obras de todos os tempos para Goiás. O candidato afirma que pretende criar mais 100 sistemas, principalmente em pequenas cidades. Na atual gestão, o ex-governador destaca que nada foi criado em termos de saneamento básico.
Agro e indústria
O agronegócio aparece como outro ponto central da proposta de Marconi. O candidato critica a chamada taxa do agro e afirma que o setor produtivo não pode ser utilizado como fonte permanente de recursos para o Estado. O candidato pontua ainda que cerca de 500 empresários têm avaliado levar seus negócios para o Paraguai.
Experiência como principal argumento
Marconi também cita números de suas administrações para reforçar a comparação. Segundo o candidato, Goiás saiu de um PIB de R$ 17 bilhões quando assumiu o governo para R$ 250 bilhões ao final de seu ciclo de quatro mandatos. O tucano também atribui a seus governos a geração de mais de 1 milhão de empregos. (Especial para O HOJE)
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