quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde Mental

Celina Leão defende internação e tratamento para pessoas em situação de rua no DF

Governadora afirma que problema relacionado às drogas deve ser enfrentado também como questão de saúde pública e anuncia novas ações na área

Nayane Gamapor em
Celina Leão
Foto: Vinícius Saiki

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou nesta quarta-feira (10), durante café da manhã com auditores fiscais, que o governo pretende ampliar as ações de acolhimento e tratamento de pessoas em situação de rua, especialmente aquelas envolvidas com drogas e episódios de crise de saúde mental. Segundo ela, a estratégia busca atuar simultaneamente nas áreas de saúde pública e segurança.

Celina afirmou que o DF já possui um protocolo específico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para atender pessoas em situação de rua, tanto vítimas quanto autores de episódios de violência.

SAMU terá atuação no atendimento a pessoas em situação de rua

Segundo a governadora, o protocolo permite que o SAMU seja acionado em situações nas quais a pessoa esteja em surto e necessite de atendimento. A medida, segundo ela, busca dar instrumentos para que as equipes públicas atuem em casos que anteriormente ficavam sem uma resposta adequada.

“Hoje ele pode acionar o SAMU e o SAMU fazer a contenção”, afirmou Celina, ao citar situações em que uma pessoa esteja em surto e represente risco para si ou para terceiros.

A governadora disse ainda que, nesses casos, o Ministério Público é comunicado imediatamente e familiares ou parentes também podem ser acionados quando identificados.

Celina explicou que o atendimento prevê inicialmente a retirada da pessoa do estado de surto. Na sequência, após o atendimento hospitalar, o paciente pode ser encaminhado para internações prolongadas, conforme a gravidade e a necessidade de tratamento.

De acordo com a governadora, o Hospital São Vicente de Paulo é uma das referências previstas no protocolo para esse atendimento.

Ao defender a ampliação da estrutura de atendimento, Celina afirmou que algumas internações podem ser prolongadas para permitir que o paciente atravesse o período de abstinência e dê continuidade ao tratamento.

“São internações que as pessoas vão ter para sair da abstinência. Dependendo do tipo e da gravidade, pode durar até um ano”, declarou.

Governo promete ampliar assistência social

Celina também destacou a realização do concurso público da assistência social, cuja prova ocorreu no último fim de semana. Segundo ela, o certame teve cerca de 210 mil inscritos e faz parte da estratégia para ampliar a capacidade de atendimento do governo.

“Eu quero fazer o maior programa de assistência social”, afirmou.

A governadora disse que a política terá como objetivo ampliar o acolhimento e oferecer condições para que pessoas em situação de vulnerabilidade tenham acesso a tratamento e acompanhamento.

Ao mesmo tempo, Celina afirmou que o governo pretende impedir que áreas públicas voltem a ser ocupadas por estruturas associadas à permanência de pessoas em situação de rua e ao consumo de drogas.

“Nós entramos com ordem, mas também estamos entrando com acolhimento, para que essas pessoas tenham um lugar para tratamento, para cuidar”, disse.

Saúde mental é apontada como prioridade

Outro ponto destacado pela governadora foi a ampliação da política de saúde mental no Distrito Federal. Celina afirmou que pretende transformar o Hospital São Vicente de Paulo em uma referência para atendimento na área e reduzir o preconceito relacionado aos transtornos mentais.

Segundo ela, cerca de 30% dos atendimentos realizados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do DF estariam relacionados à saúde mental, o que, na avaliação da governadora, demonstra a necessidade de uma política pública específica.

“Você precisa de ter uma política pública estabelecida para isso”, afirmou.

Entre as ações citadas estão a contratação de psiquiatras e a inauguração de quatro novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A governadora também mencionou a existência de um planejamento para ampliar a estrutura do Hospital São Vicente de Paulo e atender à demanda por consultas e tratamento psiquiátrico.

Para Celina, o enfrentamento da situação de rua, da dependência química e dos problemas de saúde mental exige uma atuação permanente do poder público, combinando acolhimento, tratamento e ações de segurança.

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