Débora e Daniela transformam nostalgia em projeto e revelam bastidores da carreira
Irmãs goianas falaram ao podcast Manda Vê sobre o sucesso de “O Ano Era”, a presença feminina no sertanejo e os projetos que preparam para os próximos meses
Uma ideia criada para tentar romper a barreira das poucas visualizações nas redes sociais acabou se tornando uma das marcas de Débora e Daniela. No quadro “O Ano Era”, as irmãs recuperam músicas que atravessaram diferentes gerações e apostam na memória afetiva do público. O formato começou despretensiosamente em 2023, cresceu na internet e, em 2026, ganhou dimensão de projeto musical.
A história por trás dessa virada foi contada pelas cantoras na última quarta-feira (9), durante participação no podcast Manda Vê, apresentado por Isadora Carvalho. Ao longo da conversa, as goianas falaram sobre os primeiros passos na música, a formação da identidade da dupla, os desafios enfrentados por mulheres no sertanejo e os projetos que devem ampliar o repertório das duas.
“O Ano Era” surgiu num período em que Débora e Daniela buscavam entender por que os próprios conteúdos tinham alcance menor do que outros vídeos que circulavam pelas plataformas. A solução apareceu ao observar um formato de meme que remetia a acontecimentos de determinados anos. A dupla transportou a lógica para a música e passou a recuperar canções associadas a diferentes épocas.
A resposta veio nos comentários. Histórias sobre mães, avós, relacionamentos e momentos da juventude começaram a acompanhar os vídeos. Um dos conteúdos chegou à marca de 1 milhão de visualizações, consolidando a série nas redes sociais.
De Goiânia para as redes
A relação das irmãs com a música começou muito antes dos algoritmos. Influenciadas pela família, elas tiveram aulas de canto e violão ainda crianças e começaram a se apresentar em bares por volta dos 10 e 14 anos. Goiânia permaneceu como base da dupla mesmo quando os shows avançaram para o interior e outros estados.
Foi nos bares da capital que encontraram parte das primeiras oportunidades. O começo, entretanto, estava longe dos grandes palcos. Durante o podcast, elas lembraram de uma apresentação no Bar da Léo, estabelecimento voltado ao forró, onde cantaram praticamente para familiares e pessoas próximas porque ainda encontravam dificuldade para conseguir espaço.
Desde então, a carreira passou por diferentes fases. Em 2020, Débora e Daniela lançaram o DVD De Goiânia pro Mundo, que trouxe “Te Chamar Pra Sair”, parceria com Murilo Huff. Dois anos depois veio Play na Bagaceira, com participação de Tierry em “Barriga da Mamãe”. Em 2024, gravaram o DVD Encontro, com Hugo & Guilherme, Mari Fernandez e Traia Véia, projeto do qual saíram faixas como “Estatística”, “Mil Bocas” e “Me Visto de Solteiro”.
Essa combinação entre repertório romântico, músicas festivas e o universo dos bares também aparece na maneira como as cantoras se apresentam nas redes. Em vez de construir uma imagem distante do cotidiano, elas fazem da descontração parte da própria identidade artística.
Mulheres no sertanejo
A conversa também passou pelas mudanças enfrentadas pelas mulheres dentro de um gênero historicamente dominado por homens. Débora e Daniela lembraram que, no início da carreira, chegaram a ouvir negativas de estabelecimentos justamente por serem mulheres.
Na avaliação das artistas, nomes como Paula Fernandes, Marília Mendonça e Maiara & Maraisa ajudaram a ampliar esse espaço e a mudar a percepção do mercado. Ainda assim, elas consideram que as barreiras não desapareceram.
A própria proposta das irmãs procura tensionar parte dessas fronteiras. Cerveja, boteco, “bagaceira”, términos e noites com amigos aparecem nas músicas e conteúdos a partir de uma perspectiva feminina, sem que elas abandonem o romantismo ou referências tradicionais do sertanejo.
É também desse universo que deve sair um dos próximos passos da dupla. Débora e Daniela trabalham com Anne Passos no projeto Crias de Boteco, criado depois da boa repercussão dos vídeos gravados pelas três. A proposta é reunir sucessos sertanejos e modões em um formato inspirado na atmosfera descontraída que já aparece nas redes das artistas.
Depois de mais de uma década de carreira, as irmãs encontraram justamente na combinação entre uma velha característica do sertanejo, a capacidade de despertar lembranças, e uma ferramenta contemporânea, o alcance das redes sociais, uma forma de apresentar novamente a dupla ao público. Desta vez, fazendo do passado matéria-prima para o que pretendem construir daqui para frente.
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