Valdivino, secretário de Economia do DF, critica política fiscal “excessivamente expansionista” da União
Entrevistado do podcast Papo Xadrez, o titular da pasta da Economia do Governo do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, critica política macroeconômica do Governo Federal
O secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, que é especialista em macroeconomia, critica a política macroeconômica do Governo Federal, a qual considera um “desastre”. “Tem uma política monetária excessivamente retracionista e uma política fiscal excessivamente expansionista, soltando dinheiro na economia a rodo, aumentando o endividamento do Estado. A [relação] dívida pública x PIB no Brasil já chega perto dos 92%. E financiada com uma taxa de juros de 14%, a maior do mundo. É evidente que você tem uma política macroeconômica horrível”, observa o secretário. A declaração aconteceu em entrevista ao podcast Papo Xadrez, do Grupo O HOJE, realizada pelo jornalista Wilson Silvestre, em Brasília.
O integrante do Governo do Distrito Federal (GDF) aponta a falência de empresas e a fuga para o Paraguai como exemplos da má gestão federal. “Quando você vê as indústrias saindo do Brasil, indo para o Paraguai, um país pequenininho, com poucos recursos, e consegue atrair a maior parte das indústrias brasileiras para lá, é porque a política nossa macroeconômica está completamente no caminho errado. Hoje, quase todos os insumos que a indústria compra, ela está comprando do Paraguai. Por quê? Porque a indústria de insumos prefere produzir no Paraguai com custos menores a produzir no Brasil, com burocracia e custos muito maiores”, critica Valdivino.
Reforma tributária
Outro ponto de crítica do titular da Economia é a reforma tributária. O secretário explica que o atual sistema vigora no Brasil “há pelo menos 60 anos”. Dessa forma, Valdivino aponta a perda de autonomia com a mudança. “O Estado tem expertise para receber seus impostos, os municípios têm expertise para receber os seus impostos, e a maior parte desses impostos que o Estado e o município têm a receber, que são os impostos sobre consumo, ele vai perder a autonomia. Isso vai ferir o pacto federativo”, alerta.
Além disso, destaca a inclusão no sistema tributário de novas atividades que antes estavam fora da margem de tributação e, agora, terão uma “tributação muito grande”. Valdivino aponta que, com a continuidade do mesmo rumo no Governo Federal, não haverá disposição para alterar a reforma.
Para o titular da Economia do GDF, a reforma tributária é “um ponto de inflexão que nós vamos ter na política tributária que pode ser danoso para a economia brasileira”.
BRB
Valdivino fala, também, sobre a situação do Banco de Brasília (BRB). Em relação ao caso com o Banco Master, o secretário argumenta que essa “é uma questão que a Justiça está resolvendo”. “O Supremo Tribunal Federal (STF), através do ministro [André] Mendonça, está conduzindo o inquérito.”
Para Valdivino, tanto o Governo Federal quanto parlamentares que são de outras matizes políticas “trabalham contra” as ações da Secretaria de Economia que visam recuperar o banco. O titular da pasta salienta, ainda, que outras entidades bancárias entendem que o BRB é “um grande filão que eles podem abocanhar”.
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