INFRAESTRUTURA

Obras do viaduto da Leste-Oeste seguem sem prazo definido em Goiânia

Laudo preliminar não recomenda demolição, mas aponta fragilidades nas contenções das rampas de acesso do viaduto

Gabriel Diaspor em
Viaduto começou a ser construído em maio de 2023, na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. (Foto: Alex Malheiros/Prefeitura de Goiânia)
Viaduto começou a ser construído em maio de 2023, na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. (Foto: Alex Malheiros/Prefeitura de Goiânia)

Um grupo de trabalho formado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) analisa a estrutura do viaduto no cruzamento entre as avenidas Leste-Oeste e Castelo Branco, com o intuito de avaliar se a obra pode ser recuperada ou se é necessário demolí-la. A decisão depende de laudos técnicos, levantamento de dados e análise das condições do aterro e da estrutura.

O viaduto começou a ser construído em maio de 2023, na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. O investimento inicial era de R$ 14 milhões, com prazo de entrega estimado em 240 dias. A empresa BK assumiu a execução da obra. O canteiro foi abandonado por dificuldades financeiras da construtora, além de entraves nas desapropriações de imóveis no entorno, que interromperam o cronograma.

Os integrantes do conselho estão na fase de reuniões técnicas, levantamento de documentos e coleta de informações. Um laudo técnico, entregue em agosto ao Crea-GO e ao Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), trouxe o primeiro diagnóstico e identificou fragilidades, mas não recomendou a demolição da estrutura principal naquele momento.

David Finotti, professor, arquiteto e urbanista, mestre em Projeto e Cidade pela UFG, destaca que os materiais utilizados em obras públicas resistem à exposição: “Dois anos de exposição ao tempo, por si só, não condenam uma estrutura de concreto, projetada para resistir a décadas de intempéries. As informações preliminares não indicam comprometimento que justifique demolição automática. A estrutura pode ser recuperável, desde que os estudos comprovem que isso é tecnicamente seguro e economicamente justificável.”

Medidas para melhorar o trânsito

A Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) realiza o levantamento topográfico da área para abrir vias laterais e novas conexões, enquanto o grupo avalia os impactos. O arquiteto considera justificável a criação de vias laterais como solução emergencial para o cruzamento, para evitar engarrafamentos enquanto a questão administrativa da obra não se resolve.

Segundo David, existem estudos consolidados sobre a degradação física e o abandono do espaço urbano. “O caso apresenta uma particularidade: não se trata de uma pequena obra abandonada, mas de uma infraestrutura viária de grande porte, localizada em um cruzamento importante da cidade. Além do efeito visual, existe uma consequência cotidiana concreta, que é conviver durante anos com desvios, barreiras, congestionamentos e indefinição, o que também interfere na relação da população com aquele espaço.”

Em junho deste ano, o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) publicou um vídeo nas redes sociais em que consulta a população sobre o futuro do viaduto. Para o arquiteto, a participação popular é importante, mas não substitui a avaliação técnica: “A população pode e deve discutir prioridades, impactos e alternativas para a cidade, mas uma consulta popular não pode substituir a avaliação técnica sobre segurança estrutural. Uma enquete em rede social não equivale a um processo formal de participação social, tem uma amostra que não necessariamente representa os usuários do cruzamento ou a população de Goiânia, e pode induzir expectativas antes da conclusão dos estudos.”

O grupo técnico, formado por representantes da Prefeitura de Goiânia, do Crea-GO, do TCM-GO e da Seinfra, além de especialistas do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Goiás (Ibape-GO), deve apresentar uma conclusão em até 45 dias. Caso a obra seja retomada, a estimativa é de que o viaduto fique pronto apenas em 2027, quatro anos após o início dos trabalhos.

Em nota, a Seinfra informa que a avaliação técnica sobre o viaduto segue em andamento. O Grupo de Trabalho, formado por Crea-GO, TCM-GO, Ibape-GO e Seinfra, analisa estudos, documentos e laudos técnicos para definir a solução mais adequada para a conclusão da obra.

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Crea-GO Goiânia mobilidade urbana obras paralisadas Sandro Mabel Viaduto Leste-Oeste

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