sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Transporte

Alta dos combustíveis pressiona frete e custo dos alimentos em Goiás

Subvenção ao diesel pode aliviar parte dos custos no curto prazo, mas entidades apontam que o combustível segue como variável de competitividade para setores da economia goiana

João César Almeidapor em
Combustíveis
Foto: Marcelo Camargo/ABr

A alta dos combustíveis volta a pressionar a cadeia de abastecimento em Goiás, com reflexos que vão do produtor ao consumidor final. O governo federal anunciou um pacote para conter os preços, com custo estimado de R$ 7 bilhões por mês. As medidas incluem redução de tributos sobre gasolina e etanol e uma nova subvenção de R$ 1 por litro para o diesel, combustível essencial para o transporte de cargas no Estado.

 

A desoneração reduz em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina e zera temporariamente os tributos federais sobre o etanol hidratado, com impacto de R$ 0,19 por litro. As medidas valem de 10 de setembro a 9 de outubro. Em setembro, porém, o custo fiscal será maior, pois a subvenção anterior do diesel, de R$ 1,12 por litro, segue em vigor até o dia 27. Com isso, o impacto estimado nas contas públicas chega a R$ 12,5 bilhões no mês.

 

No caso da indústria, uma Nota técnica da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) enviada ao O HOJE aponta que o combustível entra nos custos industriais de três formas: no frete dos insumos que chegam às empresas, na movimentação interna e no escoamento do produto acabado. Como o Estado depende fortemente do transporte rodoviário e está distante dos principais portos, o diesel deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ser uma variável de competitividade.

 

Segundo a Fieg, a subvenção reduz o nível de custo no curto prazo, mas não altera os fatores que pressionam os preços.  A medida ajuda a conter a velocidade da alta, mas não devolve os preços ao patamar anterior ao choque externo.

 

A Federação aponta que  o efeito é maior para setores com grande dependência logística. O segmento de alimentos tende a ser o mais impactado, por ser o mais representativo da indústria goiana e trabalhar com cargas de alto volume e menor valor agregado, nas quais o frete pesa mais no custo unitário. Também aparecem entre os setores impactados construção, mineração, minerais não metálicos, derivados de petróleo, biocombustíveis e químicos.

 

Alimentos e produtos de supermercados

 

Produtos como frutas, verduras, legumes e ovos dependem de transporte rápido e frequente, por serem perecíveis e precisarem chegar ao mercado em boas condições. Quanto maior a distância entre produtor, fornecedor, centro de distribuição e ponto de venda, maior tende a ser a participação do frete no preço final.

 

O presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Sirlei Antônio do Couto, afirma que o combustível é um componente importante do custo do transporte e, consequentemente, do frete. Couto observa que uma redução no diesel pode aliviar o custo logístico, mas esse efeito não é imediato nem proporcional, já que o valor do frete também inclui manutenção de veículos, pneus, mão de obra, pedágios e distância percorrida.

 

Para supermercados, sacolões, feirantes, restaurantes e pequenos comerciantes que compram para revender, a variação dos combustíveis aparece tanto no deslocamento até fornecedores quanto no frete embutido nos produtos adquiridos. Quando o custo logístico aumenta, parte desse valor pode ser incorporada ao preço de compra, com reduções de margens ou pressão no repasse ao consumidor.

 

Nos produtos de menor valor agregado, qualquer aumento no transporte pesa mais, como o caso de parte dos hortifrutigranjeiros, que têm reposição constante e menor margem para absorção de custos. No varejo, esse impacto precisa ser administrado com cuidado, porque há preocupação em manter preços competitivos e, ao mesmo tempo, preservar a sustentabilidade da operação.

 

No setor de combustíveis, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, também afirma que as medidas podem amortecer os efeitos da alta internacional do petróleo, mas pondera que a redução tributária não significa queda equivalente nas bombas.

O impacto dependerá do preço efetivamente cobrado pelas distribuidoras aos postos. Quando houver redução no custo de aquisição, a tendência é que a concorrência entre os estabelecimentos leve parte do benefício ao consumidor.

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