sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Setembro Verde

Goiás tem 2,5 mil pessoas na fila de transplante e taxa de recusa familiar de quase 70%

Setembro Verde reforça campanha pela doação de órgãos; nefrologista explica que conversar sobre o tema em família antes do momento de decisão é o principal caminho para reduzir recusas

Luana Avelarpor em
Goiás tem 2,5 mil pessoas na fila de transplante e taxa de recusa familiar de quase 70%
Foto: Magnific

Mais de 2,5 mil pessoas aguardam por um transplante em Goiás, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). O número expõe um desafio que persiste mesmo com avanços recentes: os transplantes de rim cresceram cerca de 30% em 2025 na comparação com o ano anterior, mas a taxa de recusa familiar à doação de órgãos ainda chega a quase 70%, uma das mais altas do país.

Entre os órgãos mais aguardados na fila está o rim. A hipertensão arterial e o diabetes são os fatores que mais levam à doença renal crônica no mundo. Quando ocorre a falência renal, o paciente precisa da substituição da função por diálise ou transplante. “É importante frisar que o transplante é uma modalidade terapêutica, e não a cura da doença”, explica a nefrologista Myllena Vieira, da Unimed Goiânia.

O transplante renal pode acontecer com órgão de doador vivo, geralmente um familiar compatível, ou de doador falecido. Nesse segundo caso, a doação depende diretamente da autorização da família no momento da morte. “A doação só é efetivada com a autorização da família, mesmo quando a pessoa já manifestou esse desejo em vida. Não é necessário nenhum registro prévio em documento”, esclarece a médica.

O desconhecimento sobre o processo segue como um dos principais fatores da recusa. Entre os mitos mais recorrentes estão o medo de que o tratamento seja interrompido, dúvidas sobre a morte encefálica e o temor de deformação do corpo após a retirada dos órgãos. Conversar sobre o assunto com antecedência facilita a decisão da família em um momento de dor e urgência.

Após o transplante, o paciente deve manter o uso de imunossupressores e seguir acompanhamento médico frequente. “Sintomas como febre, inchaço, dor no local do enxerto ou diminuição da urina devem ser observados imediatamente, pois podem indicar rejeição”, alerta Myllena.

No Setembro Verde, a Unimed Goiânia realiza a campanha “Uma decisão que multiplica vidas”, em parceria com a SES-GO, para incentivar que as pessoas conversem sobre doação de órgãos em casa e comuniquem seu desejo aos familiares.

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