sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Eleições 2026

Saúde concentra ataques de candidatos a Daniel Vilela em debate

Marconi e Wilder exploraram gargalos da área, enquanto governador e o tucano voltaram a trocar acusações sobre resultados das gestões; Cesar Bueno confrontou senador sobre câmeras e obra da transferência do Hugo ligada à sua empresa

Thiago Borgespor em
Saúde concentra ataques de candidatos a Daniel Vilela em debate
Encontro reuniu os quatro principais candidatos ao Governo de Goiás pela 2ª vez | Fotos: Reprodução

A saúde foi o principal terreno de confronto no segundo debate eleitoral com os quatro candidatos ao Governo de Goiás mais bem posicionados nas pesquisas, realizado pelo portal Mais Goiás e pela rádio Interativa, nesta quinta-feira (17). 

Logo na primeira rodada, Wilder Morais (PL) questionou Daniel Vilela (MDB) sobre os problemas da saúde e citou as filas de cirurgias eletivas. O governador respondeu destacando a construção de policlínicas, a estrutura do novo HUGO e a previsão de 300 novos leitos na Região Metropolitana de Goiânia. 

Na réplica, Daniel deixou a defesa da gestão em segundo plano e partiu para o ataque ao senador. O candidato à reeleição disse que cerca de dois terços dos goianos não o conhecem e questionou a atuação de Wilder em Brasília em defesa do Estado. A ofensiva aconteceu após o candidato do PL questionar os gargalos da saúde e o porquê Daniel, mesmo com as alegações de que há recurso disponível no caixa, não resolveu os problemas. 

A saúde voltou ao centro quando Marconi Perillo (PSDB) perguntou a Daniel sobre investimentos em hospitais, policlínicas e educação. O governador respondeu com citações sobre o aumento no número de leitos de UTI e afirmando que as policlínicas fazem parte do projeto de regionalização da saúde de seu governo.

A resposta de Marconi elevou novamente o tom. O tucano acusou o governador de utilizar a estrutura de comunicação do governo para construir uma narrativa que, segundo Marconi, não corresponde aos fatos. Na sequência, o ex-governador afirmou que as policlínicas citadas por Daniel foram iniciadas ou construídas durante suas administrações e que o governo atual teria apenas alterado nomes de estruturas já existentes.

“Daniel, você não fica vermelho não? É incrível a capacidade que você tem de, através da máquina da propaganda e de uma narrativa fake, inventar coisas”, afirmou Marconi.

O ex-governador também atacou a gestão atual na área da saúde ao citar o Complexo Oncológico De Referência de Goiás (Cora) e a regionalização dos serviços. Daniel rebateu ao afirmar que o tucano chegou a recorrer à Justiça contra a construção do Cora. “Marconi, você torce do quanto pior, melhor. Você está 8 anos morando lá em São Paulo e torcendo contra o nosso estado aqui”, disse Daniel.

O confronto terminou com nova provocação. Já com o microfone desligado, Marconi chamou Daniel de “mentiroso” e “hipócrita”. O governador respondeu perguntando se o ex-governador “estava nervoso”. 

A saúde não ficou restrita ao duelo entre Daniel e Marconi. Após o ataque de Daniel na primeira pergunta, Wilder citou emendas destinadas a hospitais de Uruaçu, Palmeiras de Goiás e para o Hospital de Câncer Araújo Jorge, além de emendas para compras de ambulâncias. O liberal afirmou que pretende ser conhecido como “o senador e o governador da saúde”.

Outro momento de confronto ocorreu entre Luis Cesar Bueno (PT) e Wilder. O petista questionou o senador sobre sua posição em relação às câmeras corporais nas fardas policiais, tema que havia provocado uma reação da campanha de Wilder nos dias anteriores. O candidato do PL reafirmou ser favorável à corporação e disse que permaneceria ao lado dos policiais caso a própria Polícia Militar (PM) decidisse pela utilização dos equipamentos.

“Foi uma pergunta. Eu sou a favor das câmaras sim, Luís. Agora, eu simplesmente disse que se amanhã a corporação decidir ou tomar uma decisão de querer instalar as câmaras corporais, eu vou estar do lado da polícia, como eu sempre tive”, afirmou Wilder.

Na sequência, o petista levou ao debate para transferência do Hospital Estadual de Urgências de Goiânia (Hugo). “Eu tenho acompanhado detalhadamente o caso do Banco Master e vejo que a sua construtora está fazendo a obra da Oncoclínica, que é uma clínica de propriedade do Banco Master, que mais do que isso, faz uma parceria com o governo do Estado”, afirmou Cesar Bueno.

O petista questionou a relação entre Wilder, o empreendimento e o governo Daniel e colocou em dúvida se uma eventual mudança do Hugo para o local resolveria os problemas da saúde. 

No debate, a segurança também serviu de campo para ataques. Ao responder sobre feminicídio, Marconi atribuiu o aumento dos índices à atual administração e afirmou que criou 25 delegacias da mulher durante seus governos. O tucano também disse haver mais de 100 municípios sem policiais e acusou a gestão atual de promover um desmonte da estrutura de segurança.

Já Cesar Bueno defendeu as câmeras corporais e criticou a composição do efetivo da PM. O petista afirmou que houve crescimento no número de oficiais, mas não de cabos e soldados. O candidato também prometeu reforçar a Polícia Civil diante do avanço do crime organizado e dos crimes cibernéticos.

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