Marconi pressiona Wilder e questiona saída do Senado para disputar governo de Goiás
Ex-governador questionou decisão de Wilder de deixar o Senado para disputar o Palácio das Esmeraldas; candidato do PL afirmou que pretende usar experiência política na administração estadual
Uma discussão sobre o papel de Wilder Morais no cenário político nacional marcou o último debate entre os candidatos ao Governo de Goiás antes do primeiro turno das eleições. Em vez de concentrar o confronto apenas em propostas para o Estado, Marconi Perillo (PSDB) levou ao debate a escolha do senador de disputar o Executivo goiano, apesar de ainda ter mais de quatro anos de mandato no Congresso.
A avaliação apresentada por Marconi foi de que a saída de Wilder do Senado poderia representar uma perda de espaço para o grupo político de direita. O ex-governador defendeu que o senador permaneça em Brasília e continue participando das votações e articulações que envolvem pautas de interesse desse campo político.
“O Senado precisa de um senador de direita que resolva os problemas que estão pendentes. A direita está trabalhando duro para eleger senadores, como é que vai perder um senador?”, questionou Marconi durante o debate.
Wilder não recuou da candidatura ao governo. Ao responder, reconheceu a atuação que desenvolve atualmente como senador, mas afirmou que vê no Executivo estadual uma possibilidade de ampliar sua contribuição política. “Fiquei muito contente de dizer do trabalho que a gente faz lá em Brasília como Senador da República, mas eu tenho certeza que eu vou conseguir ajudar muito mais, até porque o estado de Goiás nesse momento precisa de um grande gestor e, modéstia à parte, eu tenho essa experiência e vou contribuir muito”, disse.
Quem ficaria com a vaga no Senado
A discussão ganhou outro componente quando Marconi passou a tratar da sucessão da cadeira ocupada atualmente por Wilder. Caso seja eleito governador, o senador deixaria o mandato para assumir o Executivo estadual, abrindo espaço para sua primeira suplente, Izaura Cardoso, esposa do senador Vanderlan Cardoso.
Foi nesse ponto que Marconi apresentou sua principal preocupação. O candidato do PSDB afirmou que a mudança poderia modificar a composição política do Senado em votações importantes. Para sustentar o argumento, citou a atuação política de Vanderlan e afirmou que Izaura assumiria uma cadeira que hoje pertence a um parlamentar identificado com a direita.
“Se o senador Wilder for eleito, quem vai assumir a vaga dele é a mulher do senador Vanderlan Cardoso, que votou 80% com o governo Lula, com o governo do PT”, afirmou.
Na sequência, Marconi relacionou a possível mudança a temas que devem continuar no centro das discussões do Congresso, entre eles a eleição para a presidência do Senado, processos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, as decisões relacionadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e as discussões políticas envolvendo Jair Bolsonaro.
O ex-governador também citou a possibilidade de um eventual governo de Flávio Bolsonaro e argumentou que Wilder poderia ter participação nessas articulações caso permanecesse no Congresso.
Wilder aposta na experiência para disputar o Estado
A resposta de Wilder manteve o foco na disputa estadual. O senador apresentou sua experiência adquirida em Brasília como parte da justificativa para assumir uma eventual função no Executivo de Goiás.
A estratégia apresentada pelo candidato do PL é de que sua atuação como governador permitiria transformar essa experiência política e administrativa em ações diretamente voltadas ao Estado. A afirmação foi feita em meio à tentativa dos candidatos de apresentar suas trajetórias como credenciais para ocupar o Palácio das Esmeraldas.
A troca entre os dois candidatos colocou em discussão uma escolha que vai além da disputa eleitoral: de um lado, a permanência de Wilder no Senado e sua participação nas articulações nacionais; de outro, a possibilidade de assumir o comando do governo estadual caso seja eleito.
O debate ocorreu na reta final da campanha para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A discussão entre Marconi e Wilder aconteceu em meio a outros temas apresentados pelos candidatos durante o encontro, mas a permanência do senador em Brasília acabou se transformando em um dos momentos de maior confronto direto entre os dois.
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