terça-feira, 6 de outubro de 2026
OUTUBRO ROSA

Açafrão, suplementos e autoexame: oncologista esclarece mitos sobre o câncer de mama

Em meio ao excesso de informações nas redes sociais, oncologista esclarece o que realmente faz sentido quando o assunto é prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama

Luana Avelarpor em
Açafrão, suplementos e autoexame: oncologista esclarece mitos sobre o câncer de mama

O câncer de mama continua entre os principais desafios de saúde pública no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no triênio 2026-2028, com risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres. A doença é a neoplasia mais incidente entre as mulheres brasileiras, sem considerar os tumores de pele não melanoma.

Em Goiás, o cenário também chama atenção. O câncer de mama é a neoplasia mais incidente entre as mulheres goianas. Para o triênio 2026-2028, são estimados 2.150 novos casos por ano no Estado, com taxa bruta de 56,55 casos por 100 mil mulheres e taxa ajustada de 43,45 por 100 mil.

Com a chegada do Outubro Rosa, aumentam as campanhas de conscientização sobre a doença e, junto com elas, a quantidade de conteúdos compartilhados nas redes sociais. Entre orientações importantes sobre prevenção e diagnóstico, também circulam receitas, promessas de tratamentos e recomendações que podem gerar dúvidas em pacientes e familiares.

Para o oncologista Augusto Ribeiro Gabriel, o excesso de informações disponíveis na internet pode deixar pacientes confusos, principalmente quando recomendações genéricas são apresentadas como se fossem válidas para qualquer pessoa com câncer.

“A pessoa fica meio perdida, um mar de informações divergentes. Então, saber o que é e o que não é é muito importante. É entender que é individualizado, porque a maioria das colocações são genéricas. Fala que é para câncer, como se todo câncer fosse igual.”

Autoexame não substitui rastreamento

Uma das dúvidas mais comuns relacionadas ao câncer de mama envolve o autoexame. O especialista chama atenção para a diferença entre perceber alterações no próprio corpo e utilizar o autoexame como método de rastreamento da doença.

“O autoexame não é usado para rastreamento de câncer de mama. A percepção de alterações nas mamas pode levar a pessoa a procurar atendimento, mas não substitui a avaliação médica nem os exames indicados de acordo com as características de cada pessoa”, comenta o especialista.

Todo nódulo na mama é câncer?

Outro mito frequente é associar automaticamente qualquer nódulo ao diagnóstico de câncer. A presença de uma alteração na mama, entretanto, não significa necessariamente que se trata de um tumor maligno.

“Existem diferentes alterações mamárias benignas que também podem provocar nódulos. Por isso, diante de uma mudança percebida nas mamas, a recomendação é buscar avaliação profissional em vez de tentar estabelecer um diagnóstico a partir de informações encontradas na internet. A investigação médica é fundamental para determinar a natureza da alteração e indicar, quando necessário, os exames complementares”, orienta o médico.

Açafrão pode combater o câncer?

Entre os mitos que chegam aos consultórios estão aqueles relacionados a alimentos, plantas e produtos naturais que ganham espaço nas redes sociais como supostos aliados contra o câncer. O açafrão aparece entre essas dúvidas.

Segundo Augusto, pacientes chegam a questionar se o consumo do produto poderia fazer o câncer desaparecer. O exemplo mostra como uma informação relacionada à alimentação pode ganhar, na internet, uma dimensão que não corresponde ao tratamento médico.

“O consumo de determinado alimento não deve ser confundido com uma terapia contra o câncer. A mesma cautela vale para chás, receitas caseiras e outras substâncias apresentadas como alternativas capazes de tratar ou eliminar a doença”, afirma o especialista.

O médico acrescenta que as dúvidas que chegam ao consultório também incluem suplementos. Creatina, vitaminas e outros produtos são frequentemente associados a conteúdos sobre saúde e desempenho físico, mas o contexto muda quando a pessoa está passando por um tratamento oncológico.

“A utilização de suplementos deve ser discutida individualmente com a equipe responsável pelo tratamento. Uma recomendação encontrada na internet ou utilizada por outro paciente não significa que será adequada para todos.”

Câncer não é tudo igual

Para o especialista, um dos principais pontos que precisam ser esclarecidos é que a palavra “câncer” engloba diferentes tipos de tumores, com características e tratamentos distintos.

“A maioria das colocações são genéricas. Fala que é para câncer, como se todo câncer fosse igual. E não é. Esse esclarecimento também é importante: quem está tratando um câncer de mama tem um tratamento muito diferente de quem está tratando um câncer de intestino ou de pulmão. Não tem nada a ver uma coisa com a outra”, comenta Augusto.

Relatos de pacientes nas redes sociais também podem gerar dúvidas sobre tratamentos. Uma experiência positiva com determinado medicamento, suplemento ou dieta, porém, não significa que a mesma estratégia será indicada para outra pessoa.

Por isso, a conduta deve ser individualizada e definida pela equipe médica de acordo com as características de cada paciente. Informações compartilhadas por outras pessoas podem servir como ponto de partida para uma conversa com o médico, mas não devem ser utilizadas como orientação para modificar tratamentos ou adotar novas terapias por conta própria.

Em meio a vídeos, posts, relatos pessoais e recomendações compartilhadas diariamente, pacientes encontram um volume cada vez maior de informações sobre câncer. O desafio é distinguir orientações confiáveis de conteúdos genéricos que desconsideram as particularidades de cada caso.

Nesse cenário, a internet pode ser uma ferramenta para buscar conhecimento, mas não deve substituir a avaliação médica. Dúvidas sobre diagnóstico, alimentação, suplementos ou tratamento precisam ser discutidas com a equipe que acompanha o paciente.

No câncer de mama, combater a desinformação também significa entender que cada diagnóstico tem suas particularidades e que não existe uma receita pronta para todos os pacientes.

Mitos e verdades sobre o câncer de mama

O autoexame substitui a consulta médica?
Mito. O autoexame não substitui o rastreamento e a avaliação médica.

A mamografia deve fazer parte do rastreamento do câncer de mama?
Verdade. A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento.
[INSERIR FAIXA ETÁRIA E PERIODICIDADE DEFINIDAS PELO DR. AUGUSTO.]

Todo nódulo na mama é câncer?
Mito. Existem alterações benignas que também podem causar nódulos. A investigação médica é necessária.

Apenas mulheres com histórico familiar precisam se preocupar?
Mito. O histórico familiar é um fator considerado na avaliação de risco, mas sua ausência não elimina a possibilidade de desenvolver a doença.

Homens também podem ter câncer de mama?
Verdade. Embora seja menos frequente, homens também podem desenvolver a doença.

Açafrão pode substituir o tratamento contra o câncer?
Mito. Um alimento ou produto natural não deve ser tratado como substituto da terapia oncológica.

Todo paciente com câncer pode tomar os mesmos suplementos?
Mito. A utilização de suplementos deve ser avaliada individualmente pela equipe responsável pelo tratamento.

Todo câncer tem o mesmo tratamento?
Mito. Existem diferentes tipos de tumores e diferentes estratégias terapêuticas.

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