terça-feira, 6 de outubro de 2026
Importação e exportação

Balança comercial registra superávit de US$ 7,74 bi em setembro

Resultado da balança comercial foi impulsionado pelo avanço de 12,9% nas exportações, com destaque para as vendas externas de petróleo, soja, combustíveis e minério de cobre

João César Almeidapor em
Balança comercial registra superávit de US$ 7,74 bi em setembro
Foto: Tânia Rêgo/ABr

A balança comercial brasileira fechou setembro com um superávit de US$ 7,74 bilhões, valor 146,4% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 (US$ 3,14 bilhões). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e mostram o segundo melhor saldo da história para meses de setembro, atrás apenas do resultado de 2023 (US$ 9,18 bilhões).

O desempenho positivo foi puxado pelas exportações, que cresceram 12,9% na comparação anual e somaram US$ 34,42 bilhões. Na outra ponta, as importações recuaram 2,4%, totalizando US$ 26,68 bilhões. Com isso, a corrente de comércio, que soma todas as vendas e compras externas do País, atingiu US$ 61,09 bilhões (+8%), marca recorde para o mês de setembro e a segunda maior de toda a série histórica, superada somente por junho deste ano (US$ 61,99 bilhões).

Destaques nas exportações

A alta nos embarques teve à frente a indústria extrativa, que movimentou US$ 9,44 bilhões (+39,8% ante setembro de 2025), impulsionada pelos saltos nas vendas de petróleo bruto (+77,3%) e de minério de cobre (+74,2%). No caso do petróleo, o faturamento externo foi favorecido tanto pelo aumento da produção nacional quanto pela valorização de 24,7% nos preços médios internacionais devido ao agravamento do conflito no Oriente Médio.

A indústria de transformação exportou US$ 17,67 bilhões (+5,3%), puxada por farelos de soja (+47,7%) e combustíveis (+39,1%). Já a agropecuária somou US$ 7 bilhões em vendas externas (+4,8%), com avanços nos embarques de soja em grão (+11,9%), café não torrado (+8,7%) e no grupo de centeio e aveia, que saltou de US$ 407 mil para US$ 127,8 milhões (alta de 31.200%) em razão de mudanças no cronograma de envio.

Por destinos, os embarques para a Europa cresceram 51,9%, chegando a US$ 8,3 bilhões, reflexo do acordo entre Mercosul e União Europeia, que tem estimulado sobretudo a venda de alimentos. Para a América do Norte, as vendas subiram 30,6% (US$ 5,2 bilhões); apenas para os Estados Unidos, a alta em setembro foi de 31,9%, apesar da aplicação de novas tarifas sobre itens brasileiros e da queda de 6,5% no acumulado do ano. Enquanto o comércio com a América do Sul ficou estável em US$ 4,2 bilhões, as exportações para a Ásia recuaram 2,5%, fechando em US$ 17,4 bilhões.

Recuo nas importações

A retração de 2,4% nas compras externas em setembro refletiu a queda nas aquisições de bens de capital, que somaram US$ 4,1 bilhões (-29,8%), e de bens intermediários, que ficaram em US$ 14,9 bilhões (-2,4%). A redução na compra de máquinas e equipamentos ocorre em meio à desaceleração econômica e aos juros elevados, que freiam os investimentos da indústria.

Em contrapartida, subiram as importações de bens de consumo, que atingiram US$ 4,3 bilhões (+11,5%), e de combustíveis, que chegaram a US$ 3,4 bilhões (+41,2%), pressionadas pelo encarecimento de 58,2% nos preços médios do produto.

Acumulado do ano e projeções

De janeiro a setembro de 2026, a balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 62,4 bilhões, um avanço de 34,8% sobre igual período do ano passado. Nos nove primeiros meses do ano, as exportações somam US$ 264,65 bilhões (+10,4%) e as importações totalizam US$ 222,26 bilhões (+5%).

Mesmo com o saldo positivo até setembro, o Mdic revisou para baixo a projeção de superávit comercial para o fechamento de 2026, reduzindo a estimativa de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. O corte acompanha a nova previsão para as exportações, que passou de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões, e para as importações, ajustada de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.

Ainda assim, caso se confirme, o saldo de US$ 84,4 bilhões será o segundo maior para um ano desde o início da série histórica, em 1989, abaixo apenas do recorde de 2023 (US$ 98,8 bilhões). A projeção oficial permanece mais otimista que a do mercado financeiro: segundo o boletim Focus do Banco Central, a estimativa dos analistas para o superávit comercial deste ano é de US$ 78,3 bilhões.

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Balança comercial Brasil exportação importação

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